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Outubro 2017

MULHERES SUPERPODEROSAS

MULHERES SUPERPODEROSAS

By | #ChegarLa | No Comments

MULHERES SUPERPODEROSAS

Empoderamento é uma das palavras mais utilizadas nos dias de hoje. Um termo que tem atrelado a si outras questões cruciais para qualquer ser humano, como a autoestima, por exemplo. Aprender a se amar é um dos passos mais importantes para qualquer pessoa trabalhar as suas potencialidades.

Quando se trata de autoestima, é inevitável falarmos sobre os padrões de beleza irreais impostos pela sociedade a nós mulheres. Ao fazermos o recorte para mulheres negras e gordas, os impactos causados por esses mesmo padrões são ainda maiores e nocivos, resultando, muitas vezes, em quadros de depressão e até tentativa de suicídio.

Por isso, sempre que fico sabendo de projetos que valorizam todos os tipos de beleza feminina eu faço questão de enaltecer. É o caso da iniciativa criada pela Luana Xavier, minha querida amiga, produtora executiva da minha peça De perto ela não é normal e neta da maravilhosa atriz Chica Xavier. Batizado de Melanin, a iniciativa celebra em poderosas imagens a beleza de mulheres negras de diversos formatos de corpo.

Identidade Negra é outro projeto fotográfico maravilhoso que trabalha com essa temática. Criada pela estudante de fotografia Jessyca Alves e pela expert da moda Rosana Theodora, a iniciativa buscou celebrar a beleza e a identidade da mulher negra brasileira. Encontradas por meio do Facebook, as mulheres retratadas, com idades entre 14 e 49 anos, também escreveram depoimentos sobre as dificuldades que já enfrentaram na vida por conta dos padrões de beleza impostos pela sociedade. “Passei minha vida toda sem saber quem eu era, sem ter conhecimento das minhas origens, da minha raça. Eu não sabia qual era minha verdadeira identidade”, afirmou a estudante em entrevista ao Buzzfeed Brasil.

Destaco também o projeto Superafro: O poder da mulher negra desenvolvido há três anos pelo jornalista Weudson Ribeiro e que registra, de maneira espontânea, a beleza das mulheres negras moradoras de Brasília. A iniciativa visa dar voz e, principalmente, visibilidade a esse tipo de beleza tão nosso, mas ainda bastante discriminado.

Ações como essas são importantes pela mensagem que transmitem: a de que nós mulheres podemos ser quem somos sem ter vergonha alguma de aceitar nossas características naturais ou precisar se enquadrar em padrões para nos sentirmos aceitas e felizes. Precisamos sempre ter em mente que são essas singularidades que nos fazem únicas e interessantes. Viva todas as belezas, viva todos os corpos. Salve a beleza da mulher brasileira!

CORRUPÇÃO NO BRASIL

A CORRUPÇÃO E A HISTÓRIA DO BRASIL

By | #NaoMeAbsorva | No Comments

A CORRUPÇÃO E A HISTÓRIA DO BRASIL

Nos últimos anos, a palavra corrupção passou a fazer parte das discussões cotidiana dos brasileiros. Na fila do pão ou do banco, no ponto de ônibus, na sala de espera do médico, na feira e até na conversa entre comadres o assunto está presente. A política nacional, claro, foi o fator que mais contribuiu para a criação desse cenário, mas vamos combinar que não é de hoje que esse mal assola o nosso país. A origem está no nosso #dnahistorico.

A carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, falando sobre o novo mundo, termina com um pedido de emprego a um parente #ajudaafamilia. Segundo o livro História do Brasil para Ocupados, data de 1549, período colonial, a chegada do primeiro funcionário público ficha-suja do nosso país. Pero Borges, nomeado ouvidor-geral (o equivalente ao cargo de Ministro da Justiça) foi condenado em Portugal por desvio de verba para construir um aqueduto e, como parte da sua sentença, teve de se mudar para o Brasil com direito a um cargo importante, um alto salário e uma pensão para sua esposa, em Lisboa #chateado.

De acordo com a historiadora Denise Moura, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), era uma prática da Coroa oferecer diversas vantagens como as citadas acima para convencer os fidalgos portugueses a virem para o Brasil. Um cenário fértil para a corrupção, não apenas na esfera pública, mas também no cotidiano comum.

E algo que começou na relação Colônia e Coroa, continuou na dinâmica Nação e Estado, a partir da independência, e se perpetua até os dias de hoje. “A corrupção é um mal coletivo. Um comportamento social do qual o governo também faz parte. Não existe governo corrupto em uma nação ética e não existe nação corrupta com governo transparente e democrático”, afirma o historiador Leandro Karnal, da Universidade de Campinas (Unicamp).

Claro que não fomos nós que inventamos a corrupção e não somos o único país corrupto do mundo. Um exemplo: com o objetivo de explorar a tendência do ser humano para ser desonesto, o documentário norte-americano Dishonesty aplicou um teste com 40 mil pessoas. No estudo, os voluntários tinham de resolver 20 questões matemáticas em cinco minutos. Cada acerto valia um dólar e os pesquisadores permitiram aos próprios participantes corrigirem a prova e depois jogarem o documento em um triturador. O que eles não foram informações é que o aparelho era falso e conservava todas as provas originais. O resultado? 20 pessoas mentiram, afirmando terem acertado todas as questões, custando 400 dólares ao estudo, e 28 mil aumentaram, ainda que pouco, o número de acertos, onerando em 50 mil dólares os pesquisadores #pequenosdelitos #grandesconsequencias.

O problema do Brasil é que criticamos a corrupção, mas fazemos vista grossa para os pequenos atos ilícitos que nos beneficiam no dia a dia. Uma pesquisa do Instituto Data Popular, de 2016, demonstrou bem isso: nela, apenas 3% dos brasileiros se consideraram corruptos, embora 80% afirmassem conhecer alguém que pratica atos de corrupção (como fecha essa conta, minha gente?!). Além de pressionar os governantes e defender uma ampla investigação dos escândalos de corrupção que estão assolando o nosso país, é importante também combatermos os pequenos delitos do cotidiano, como fazer carteirinha falsa para pagar meia entrada no teatro ou no cinema, furar fila no banco, não devolver o troco errado na compra do mercado, andar no acostamento, entre outras coisas.

Mais do que isso, precisamos educar nossas crianças sem fazer uso de artifícios que o historiador Leandro Karnal chama de “elementos de corrupção históricos” e que já fazem parte do senso comum e que a gente sequer compreende a gravidade. Coisas como o famoso “se você fizer isso, eu te presenteio com aquilo”, a ideia de que pra fazer uma coisa você automaticamente precisa ganhar outra em outra, o famoso “se dar bem” em tudo. Cabe a nós, em conjunto, mas também na nossa vida privada, contribuir para construir um novo país. Como bem escreveu a querida Elisa Lucinda no texto Só de sacanagem, “Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final.” =)