JE T’ADORE, JEANNE!

By Novembro 7, 2017#CasaDeAraruama
JE T’ADORE, JEANNE!

JE T’ADORE, JEANNE!

Desde que iniciei esse meu caso de amor com o ofício de atriz, Jeanne Moreau sempre foi uma das minhas grandes inspirações. As mulheres fortes, passionais, libertárias e pouco convencionais que ela imprimiu na grande tela em filmes como Segredos de Alcova (1954), Os Amantes (1958), e Jules e Jim – Uma mulher para dois (1962) despertaram em mim o desejo de fazer o mesmo em cena e também o de criar personagens tão marcantes quanto no teatro, no cinema e na televisão nacional #inspiracao.

A beleza, fora do padrão em vigor na época (ditado pelas deusas Marilyn Monroe e Brigitte Bardot), e a voz grave e sensual foram outros fatores que contribuíram para que ela conseguisse arrebatar o meu coração – e o do mundo, claro. Conhecida como Bette Davis francesa (embora odiasse a comparação com a diva do cinema norte-americano), Jeane foi a grande musa da Nouvelle Vague, movimento artístico do cinema francês, e inspirou cineastas de renome, como Orson Welles (que a considerava a melhor atriz do mundo), Jean-Luc Godard, François Truffaut, Luis Buñuel (a quem chamava de “papai espanhol”), Werner Fassbinder e Tony Richardson.

Em 65 anos de carreira, trabalhou em mais de 130 filmes e também atuou como diretora (dirigiu dois longas-metragem e um documentário sobre a atriz do cinema mudo, Lilian Gish). Mas sua grande paixão sempre foi a arte de atuar, um ofício que, como ela gostava de definir, toca emoções muito delicadas. “Atuar é transmitir vida”, disse certa vez. Jeanne também afirmava que, ao atuar, o ator não se esconde, mas se expõe completamente, uma opinião que eu compartilho: no jogo de cena, além das características dos personagens, há muita coisa do ator que o interpreta e é justamente nessa mistura que está a beleza da nossa arte.

Jeanne nos deixou neste ano, aos 89 anos, mas seu talento e sua arte seguirão nos emocionando e inspirando eternamente. Je t’adore, Jeanne!

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