REPRESENTATIVIDADE QUE TRANSFORMA

By Novembro 13, 2017#ChegarLa
REPRESENTATIVIDADE QUE TRANSFORMA

REPRESENTATIVIDADE QUE TRANSFORMA

Representatividade é uma palavra de extrema importância pra mim. Isso porque eu acredito que ter alguém que te representa em algum segmento do seu interesse serve de modelo, te motiva a chegar lá também e gera a reflexão: se ele chegou lá, eu também posso!

Por isso, me interesso por projetos que trabalhem essas questões, sobretudo com as meninas que, desde muito cedo, são “doutrinadas” em nossa sociedade sobre o que são e o que não são “coisas de mulher” (estamos em 2017, hello?!). Quando se trata de meninas negras, então, o negócio fica ainda mais sério, porque envolve outras barreiras pesadas, como o racismo e a vulnerabilidade social.

Nesse sentido, o Plano de Menina é uma iniciativa que vem tentar ajudar essas meninas a superarem essas questões e realizarem os seus planos de vida. Criado em 2016 pela jornalista Viviane Duarte, o projeto tem por objetivo empoderar meninas de 13 a 18 anos de bairros como Capão Redondo, Grajaú, Pirituba e Brasilândia, na periferia de São Paulo.

Durante um ano, aos sábados, um grupo de mentoras e parceiras do projeto dão aulas gratuitas de autoestima, empreendedorismo, liderança, finanças e vida digital para as adolescentes. Entre as mentoras estão nomes como as maravilhosas Alexandra Loras, ex-consulesa da França em São Paulo, e Eliane Dias, empresária do grupo Racionais MC’s.

A criadora da iniciativa afirma que muitas das garotas participantes não trabalhavam e nem estudavam, tinham baixa autoestima e nenhuma ideia do que fazer no futuro. “Muitas crescem num ambiente tóxico, que faz com que elas pensem não ter direito a nada. São pais, tios ou vizinhos que falam: ‘não adianta sonhar, isso não é pra gente’. Só que toda menina tem direito a ter um plano. Ter uma meta é o primeiro passo para que elas se tornem protagonistas de suas histórias”, afirma Viviane, em entrevista à revista TPM.

“Na minha trajetória, já fui chamada de burra e de macaca por causa da minha cor. Mas também tive apoio de pessoas que acreditaram em mim e me ajudaram a desafiar a ideia de que uma negra da periferia não poderia entrar numa escola de elite como a Sciences Po, o Instituto de Estudos Políticos de Paris, onde boa parte dos presidentes da França estudaram. Eu consegui e virei a melhor aluna da turma. Hoje quero ajudar outras meninas da periferia a realizarem seus sonhos”, conta a ex-consulesa e embaixadora do projeto, Alexandra Loras, na mesma reportagem.

Criar pontes entre as meninas de periferias e mulheres de sucesso de áreas diversas é inspirador e importante para que elas tenham consciência de que podem, sim, ser o que quiserem, que ninguém pode limitá-las e que um mundo, que antes se mostrava inacessível, pode ser real. É emocionante pensar na potência que estamos criando para as próximas gerações. Mulheres fortes, empoderadas, destemidas e conscientes do seu potencial. Um brinde a projetos como esse. Um brinde à #representatividade!

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