OBRIGADA, GEENA DAVIS

By November 28, 2017#NaoMeAbsorva
Geena Davis

OBRIGADA, GEENA DAVIS

Eu sempre fui fã da atriz Geena Davis (sua transgressora Thelma, do clássico Thelma e Louise, me marcou profundamente). Mas é o seu engajamento, há mais de 20 anos, para tornar Hollywood menos sexista que a fez ganhar a minha profunda admiração. Com a percepção de que havia uma enorme disparidade de gênero presente na mídia estadunidense,  Geena resolveu fundar, em 2004, o Instituto que leva o seu nome e que objetiva incentivar a maior participação das mulheres na indústria do entretenimento nos EUA.

Desde então, o Instituto Geena Davis desenvolve estudos que comprovam que nós mulheres temos menos oportunidades, menores salários e que ainda temos que lidar com as várias facetas do machismo e da misoginia cotidianamente. Com base nestes dados, a organização busca desenvolver propostas para engajar, educar e influenciar produtores de conteúdo dentro de Hollywood a eliminar os clichês e problemas da representatividade feminina de seus scripts de filmes e séries.

Segundo Geena, com a baixa valorização das mulheres nas produções (para adultos e especialmente para as crianças), nós não despertamos o potencial de nossas meninas, não as incentivamos a questionar os papéis e estereótipos de gênero e transmitimos a mensagem de que elas não têm espaço e que não são importantes. Ao mesmo tempo, encorajamos os meninos e homens a acharem que realmente são os únicos protagonistas possíveis de todas as histórias.

Em parceria com a USC Viterbi e a Google, o Instituto lançou em 2016 o Quociente de Inclusão Geena Davis ou GD-IQ, uma ferramenta de análise de conteúdo midiático em tempo real usada para gerar dados a respeito do que está passando na tela com precisão. Ele identifica a desigualdade de representatividade entre grupos e identifica estereótipos.

Uma pesquisa realizada em 2015 pela organização em 11 países, entre eles o Brasil, trouxe números bastante preocupantes. Um exemplo: 51% dos brasileiros acreditam que o entretenimento reforça que é aceitável assediar mulheres #nãomeabsorva.

Por outro lado, 63% pensam que ver situações de violência doméstica e contra a mulher ajudam a combater esses crimes e uma em cada quatro brasileiras afirmaram terem sido encorajadas a abandonar relacionamentos abusivos por meio de historias de mulheres fortes na ficção. No Brasil, a pesquisa entrevistou duas mil  pessoas nas principais regiões metropolitanas

Estes dados só mostram a importância da luta do instituto Geena Davis e confirmam aquilo que todas já sabemos, e que eu já disse aqui em outras ocasiões: tivemos avanços, mas a luta continua. Como diz o lema da organização: “se ela puder ver, ela poderá ser”. Por mais mulheres em todos os segmentos do audiovisual!

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