Monthly Archives

January 2018

CONHEÇA ZICA, A EMPREENDEDORA QUE TRANSFORMOU UMA INSATISFAÇÃO PESSOAL EM UM NEGÓCIO MILIONÁRIO

CONHEÇA ZICA, A EMPREENDEDORA QUE TRANSFORMOU UMA INSATISFAÇÃO PESSOAL EM UM NEGÓCIO MILIONÁRIO

By | #ChegarLa | No Comments

CONHEÇA ZICA, A EMPREENDEDORA QUE TRANSFORMOU UMA INSATISFAÇÃO PESSOAL EM UM NEGÓCIO MILIONÁRIO

 

Eu já falei aqui com vocês sobre o crescimento do empreendedorismo feminino no Brasil e também sobre o perfil da brasileira empreendedora. Hoje, eu gostaria de trazer um exemplo de empreendedora de sucesso para te inspirar a apostar no seu potencial e tornar realidade o seu sonho de negócio. Foi a partir de uma insatisfação pessoal que a minha conterrânea Heloísa Helena Assis, mais conhecida como Zica, identificou um novo negócio que começou como um salão de bairro e se transformou no Instituto Beleza Natural, maior rede de salões especializada em cabelos crespos e ondulados do Brasil.

Mulher negra e periférica, ela não se conformava com os produtos disponíveis no mercado para o tratamento de cabelos crespos e cacheados como os dela. “Na época, não tinha nenhum produto especializado no cuidado de cabelos crespos e cacheados, você podia cortar, deixar black power ou alisar. Mas eu queria meu cabelo com balanço, com volume controlado. Queria preservar sua originalidade”, contou em entrevista à revista Claudia. Percebendo que, assim como ela, havia uma clientela de homens e mulheres que se sentia excluída pelo mercado da beleza, ela não teve dúvidas e começou a misturar e testar em si mesma (e também no irmão, Rogério) algumas substâncias com o objetivo de encontrar o produto ideal. Isso tudo com apenas 21 anos!

Os testes eram feitos nas pausas e nos dias de folga de seu trabalho como empregada doméstica, função que ela desempenhava desde os nove anos de idade. Sem nenhuma experiência em química, Zica fazia as aplicações na base da tentativa e do erro e, no processo, chegou a perder parte do próprio cabelo. A saga em busca da fórmula ideal consumiu dez anos. Após a descoberta, ela buscou a ajuda de uma química para melhorar o produto e com o auxílio de uma antiga patroa conseguiu patentear a fórmula, que batizou de Super Relaxante.

A próxima etapa foi abrir o próprio salão de beleza. O investimento veio da venda do fusca que era utilizado pelo marido, motorista de taxi, e que representava a principal fonte de renda da família (composta por eles e por mais três filhos pequenos). “O carro era tudo o que tínhamos. Foi uma decisão muito arriscada vendê-lo, porque o negócio podia não vingar. Mas nós acreditávamos muito na fórmula, vimos como meu cabelo havia mudado por causa dela e sabíamos que muita gente queria essa mudança também”, relembrou em entrevista à revista Época Negócios.

O veículo foi vendido por R$ 3 mil e o irmão Rogério e uma amiga, Leila Velez, deram mais R$ 1.500. O salão começou a funcionar na região da Muda, bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e, em menos de um ano, se transformou em um sucesso (a fila para ser atendida no espaço começava a se formar às cinco da manhã e o salão só abria às oito!). Com o aumento da demanda, Zica precisou expandir o negócio e começou a formar equipes extras e investir na abertura de filiais.

A empresa que começou com um investimento de menos de cinco mil reais, hoje é um negócio que tem fábrica própria, 45 operações (entre salões e quiosques) em cinco estados, 50 produtos no catálogo, três mil funcionários, 130 mil clientes por mês e que fatura R$ 150 milhões por ano! E Zica, a ex-empregada doméstica que decidiu apostar no próprio sonho, se transformou numa empreendedora de sucesso e entrou para lista das dez mulheres mais poderosas e influentes do Brasil da revista Forbes. Uma mulher de visão, coragem e talento. Um exemplo de empreendedora!

Não é mimimi

NÃO É MIMIMI!

By | #NaoMeAbsorva | No Comments

NÃO É MIMIMI!

No dia 15 de janeiro, uma postagem no Facebook da paraibana Yasmin Formiga, de 20 anos, virou assunto na internet.  Na imagem, a estudante de Artes Visuais está com o rosto pintado, simulando uma agressão, e segura um cartaz com um trecho do funk Surubinha de Leve, do Mc Diguinho: “taca a bebida, depois taca a pica e abandona na rua”.

Em sua postagem, Yasmin chamou a atenção para o quanto a letra da música faz apologia ao estupro. “Sua música aumenta a misoginia. Sua música aumenta os dados de feminicídio. Sua música machuca um ser humano. Sua música gera um trauma. Sua música gera a próxima desculpa. Sua música tira mais uma. Sua música é baixa ao ponto de me tornar um objeto despejado na rua”, escreveu.

A publicação viralizou (foi compartilhada mais de 130 mil vezes), ganhou destaque nos principais jornais e portais do país e fez com que a canção, que estava em primeiro lugar entre as mais virais no Brasil, fosse excluída das paradas do Spotify. A repercussão também fez com que o principal vídeo com a música no Youtube, que contava com 14 milhões de visualizações, fosse retirado do ar.

Diante da acusação, Mc Diguinho disse em um post já apagado em sua conta no Twitter: “se a minha música faz apologia ao estupro, prazer sou o mais novo estuprador, apenas fiz a música da realidade que eu vivo e muitos brasileiros vivem. Viva a putaria!”.

Ele, infelizmente, está correto. A sua música Surubinha de Leve fala mesmo sobre uma realidade nacional. A do país que registra 135 estupros por dia, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Só em 2016, foram registrados 49.497 casos, 4,3% a mais que 2015. Um número que pode ser maior porque nem todas as vítimas procuram os hospitais ou a polícia.

O estado do Mato Grosso do Sul tem a maior taxa de estupros proporcionalmente à sua população. São 54,4 casos a cada 100 mil habitantes. Amapá e Mato Grosso aparecem em seguida, com 49,2 e 48,8 casos por 100 mil pessoas. Além disso, em cinco anos, mais do que dobrou o número de registros de estupros coletivos em todo o Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde de 2016. Esse tipo de crime representa hoje 15% dos casos de estupro atendidos pelos hospitais no país.

Após a onda de críticas, a assessoria de imprensa de Mc Diguinho divulgou comunicado em que ele “reconhece o conflito de informações devido toda repercussão, que mora com a sua mãe, irmãs e uma sobrinha e que jamais iria denegrir a honra e moral das mulheres…”. No comunicado, o Mc afirma também que, em “respeito a tudo isso”, lançaria uma versão light da música.

Mc Diguinho e outros artistas precisam entender algumas coisas. A primeira delas é que não é preciso ter mãe, irmã ou sobrinha para ter empatia e respeitar as mulheres (esse tipo de resposta não cola, amigo). Também precisam aprender a ouvir as mulheres (e não encarar nossas manifestações como frescura, falso moralismo ou mimimi) e entender a diferença entre diversão e incitação à violência (acredite em mim, é possível fazer música sem agredir ninguém).

Em um país que possui a quinta maior taxa de feminicídio no mundo, não podemos (e não iremos) tolerar músicas ou artistas que contribuam ou incentivem esse tipo de crime. Ao contrário do que muitos dizem, o mundo não ficou chato, mas está se transformando em um espaço em que as minorias (felizmente e finalmente) têm voz e vez. #NãoPassarão.

Foto: Reprodução/Facebook