NÃO É MIMIMI!

By January 18, 2018#NaoMeAbsorva
Não é mimimi

NÃO É MIMIMI!

No dia 15 de janeiro, uma postagem no Facebook da paraibana Yasmin Formiga, de 20 anos, virou assunto na internet.  Na imagem, a estudante de Artes Visuais está com o rosto pintado, simulando uma agressão, e segura um cartaz com um trecho do funk Surubinha de Leve, do Mc Diguinho: “taca a bebida, depois taca a pica e abandona na rua”.

Em sua postagem, Yasmin chamou a atenção para o quanto a letra da música faz apologia ao estupro. “Sua música aumenta a misoginia. Sua música aumenta os dados de feminicídio. Sua música machuca um ser humano. Sua música gera um trauma. Sua música gera a próxima desculpa. Sua música tira mais uma. Sua música é baixa ao ponto de me tornar um objeto despejado na rua”, escreveu.

A publicação viralizou (foi compartilhada mais de 130 mil vezes), ganhou destaque nos principais jornais e portais do país e fez com que a canção, que estava em primeiro lugar entre as mais virais no Brasil, fosse excluída das paradas do Spotify. A repercussão também fez com que o principal vídeo com a música no Youtube, que contava com 14 milhões de visualizações, fosse retirado do ar.

Diante da acusação, Mc Diguinho disse em um post já apagado em sua conta no Twitter: “se a minha música faz apologia ao estupro, prazer sou o mais novo estuprador, apenas fiz a música da realidade que eu vivo e muitos brasileiros vivem. Viva a putaria!”.

Ele, infelizmente, está correto. A sua música Surubinha de Leve fala mesmo sobre uma realidade nacional. A do país que registra 135 estupros por dia, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Só em 2016, foram registrados 49.497 casos, 4,3% a mais que 2015. Um número que pode ser maior porque nem todas as vítimas procuram os hospitais ou a polícia.

O estado do Mato Grosso do Sul tem a maior taxa de estupros proporcionalmente à sua população. São 54,4 casos a cada 100 mil habitantes. Amapá e Mato Grosso aparecem em seguida, com 49,2 e 48,8 casos por 100 mil pessoas. Além disso, em cinco anos, mais do que dobrou o número de registros de estupros coletivos em todo o Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde de 2016. Esse tipo de crime representa hoje 15% dos casos de estupro atendidos pelos hospitais no país.

Após a onda de críticas, a assessoria de imprensa de Mc Diguinho divulgou comunicado em que ele “reconhece o conflito de informações devido toda repercussão, que mora com a sua mãe, irmãs e uma sobrinha e que jamais iria denegrir a honra e moral das mulheres…”. No comunicado, o Mc afirma também que, em “respeito a tudo isso”, lançaria uma versão light da música.

Mc Diguinho e outros artistas precisam entender algumas coisas. A primeira delas é que não é preciso ter mãe, irmã ou sobrinha para ter empatia e respeitar as mulheres (esse tipo de resposta não cola, amigo). Também precisam aprender a ouvir as mulheres (e não encarar nossas manifestações como frescura, falso moralismo ou mimimi) e entender a diferença entre diversão e incitação à violência (acredite em mim, é possível fazer música sem agredir ninguém).

Em um país que possui a quinta maior taxa de feminicídio no mundo, não podemos (e não iremos) tolerar músicas ou artistas que contribuam ou incentivem esse tipo de crime. Ao contrário do que muitos dizem, o mundo não ficou chato, mas está se transformando em um espaço em que as minorias (felizmente e finalmente) têm voz e vez. #NãoPassarão.

Foto: Reprodução/Facebook

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