Monthly Archives

February 2018

Mulheres unidas, ativar!

MULHERES UNIDAS, ATIVAR!

By | #NaoMeAbsorva | No Comments

MULHERES UNIDAS, ATIVAR!

Eu acredito profundamente no poder transformador da sororidade. Quanto mais nós mulheres nos ajudamos mutuamente, mais próximas ficamos da sociedade igualitária que tanto almejamos. A organização sem fins lucrativos Women in Cinema Collective (WCC) é um exemplo da força da união feminina.

Ela foi criada no ano passado a partir de um caso de estupro sofrido por uma atriz do cinema malaialo, uma das quatro indústrias cinematográficas do sul da Índia, que chocou a opinião pública. Quando um ator popular emergiu como o principal acusado, o choque se transformou em indignação coletiva. Um grupo de mulheres que atuam no cinema decidiu se reunir, por meio de um grupo no WhatsApp, para pensar maneiras de ajudar a colega.

As reuniões do grupo, inicialmente on-line, passaram a ser presenciais. Cada história de violência compartilhada pelas integrantes nos encontros provou que a violência sofrida pela colega atriz, motivo inicial da reunião de todas, não era um caso isolado, mas uma realidade bastante comum. “Isso mostrou que a gente precisava fazer mais do que apenas sensibilizar a mídia e a sociedade. Era necessário redigir cartas, definir o que a organização representaria, fazer panfletos, decidir os programas, projetar oficinas”, declarou a atriz Padmapriya Janakiraman, uma das fundadoras do coletivo. Ela mesma sofreu uma agressão de um diretor em um set de filmagem apenas por não ter a “expressão correta”. #NaoMeAbsorva

A organização se reuniu com o Ministro Chefe de Kerala, Pinarayi Vijayan, estado em que se fala o idioma malaialo, para solicitar uma investigação do caso de estupro e colocar em debate questões como a disparidade salarial e o tratamento às mulheres dentro da indústria do cinema indiano. A ideia é criar diretrizes que garantam a segurança e o bem estar das mulheres nos sets de filmagem e a punição dos agressores.

O coletivo também exigiu ao Ministro que o governo passe a oferecer cursos para capacitar as mulheres nas habilidades técnicas do cinema, reservar vagas para o público feminino em cargos técnicos em estúdios governamentais, oferecer prêmios a filmes que abordem questões sobre igualdade de gênero e subsídios para produções que possuem pelo menos 30% de mulheres nas equipes.

A criação da organização, claro, incitou ataques de homens poderosos do cinema indiano, como o ator e produtor Mammootty, no intuito de desqualificar a proposta da ong. Em resposta, o coletivo publicou em sua página oficial no Facebook um comunicado. “Não estamos lutando contra homens ou indivíduos em particular. Nossa luta é contra as estruturas que sustentam a supremacia masculina, contra uma cultura que não está disposta a tratar as mulheres como iguais”. Precisa dizer mais? Acho que não.  A repercussão da WCC tem sido tão boa que um grupo de apoio semelhante está para ser criado em Chennai, capital do estado de Tamil Nadu, também no sul da Índia. A prova viva de que juntas somos mais fortes e podemos fazer muito mais por nós mesmas. Mulheres unidas, ativar!

 

Susan, musa da versatilidade

SUSAN, A DAMA DA VERSATILIDADE

By | #CasaDeAraruama | No Comments

SUSAN, A DAMA DA VERSATILIDADE

Versatilidade é uma característica imprescindível para qualquer atriz e uma habilidade que eu sempre busquei exercitar ao longo da minha trajetória profissional. Para isso, além de optar por trabalhos que me incentivassem a interpretar os mais diversos personagens, eu também busquei inspiração em atrizes que se destacaram justamente pelo ecletismo.

Susan Sarandon foi (e ainda é) uma delas. Embora seja lembrada especialmente por suas (ótimas) atuações em filmes de drama – como O Óleo de Lorenzo, Lado a Lado (com a maravilhosa Julia Roberts) e, claro, Thelma & Louise, com a musa Geena Davis, – a atriz estadunidense também tem no currículo produções de comédia, como As Bruxas de Eastwick (junto com Cher e Michelle Pfeiffer), e musicais, como o clássico The Rocky Horror Picture Show.

Formada em Artes pela Universidade Católica da América, em Washington, Susan iniciou sua carreira no cinema em 1970 no drama Joe, das drogas à morte. Indicada cinco vezes ao Óscar, foi premiada como Melhor Atriz em 1995 por sua atuação no ótimo Os Últimos Passos de um Homem. Paralelamente ao seu trabalho na sétima arte, Susan também atuou em projetos na TV (novelas, telefilmes e séries) pelos quais foi indicada ao Emmy, o Óscar da televisão estadunidense – Feud, seu mais recente trabalho na TV, no qual vive a lendária Bette Davis, é imperdível!

Fora das telas, Susan também se destaca pela personalidade. Em 2016, ela foi criticada pelo jornalista britânico Piers Morgan ao aparecer de decote em uma premiação de Hollywood. Morgan classificou a escolha de Susan como “cafona” pelo fato do evento em questão também prestar uma homenagem a atores falecidos. “Ela utilizaria essa roupa em um funeral?”, questionou o jornalista.

Em resposta, Susan publicou no Twitter uma imagem sua apenas de sutiã, extraída do filme The Rock Horror Picture Show, com uma legenda sutil e irônica: “Uma foto dedicada a Piers Morgan”. GÊNIA! A postagem viralizou e gerou uma onda de tweets de mulheres que, em apoio a Susan, postavam fotos de seus decotes. Quem disse que uma mulher com mais de 60 anos não pode usar decote? #NaoMeAbsorva

A atriz também é conhecida pelo seu posicionamento político em prol de causas progressistas. Em entrevista ao apresentador Jimmy Fallon, no The Tonight Show, em 2017, ela afirmou não temer ser prejudicada profissionalmente por conta das bandeiras que defende. “Eu vou ser mulher por muito mais tempo do que serei atriz. Vou ser mãe por muito mais tempo do que serei atriz. Tudo o que eu busco é ter uma vida autêntica”, disse.

Neste ano, Susan “rifou” o seu convite de acompanhante para o SAG Awards (incluindo passagem para Los Angeles e hospedagem por duas noites) com o objetivo de arrecadar fundos para a Hope North, instituição que oferece apoio a órfãos e vítimas da guerra civil em Uganda. “Cheguei a um ponto da minha carreira que já não dou ouvidos ao que os outros pensam de mim. Tenho sobrevivido à indústria procurando fazer escolhas que respeitem minhas idéias. Continuo acreditando que podemos fazer diferença nesse mundo. Faço o que está ao meu alcance e não me importo com o que dizem os cínicos ou os puxa-sacos.” Susan, que mulher!

Foto: Thomas Whiteside