MULHERES UNIDAS, ATIVAR!

By February 20, 2018#NaoMeAbsorva
Mulheres unidas, ativar!

MULHERES UNIDAS, ATIVAR!

Eu acredito profundamente no poder transformador da sororidade. Quanto mais nós mulheres nos ajudamos mutuamente, mais próximas ficamos da sociedade igualitária que tanto almejamos. A organização sem fins lucrativos Women in Cinema Collective (WCC) é um exemplo da força da união feminina.

Ela foi criada no ano passado a partir de um caso de estupro sofrido por uma atriz do cinema malaialo, uma das quatro indústrias cinematográficas do sul da Índia, que chocou a opinião pública. Quando um ator popular emergiu como o principal acusado, o choque se transformou em indignação coletiva. Um grupo de mulheres que atuam no cinema decidiu se reunir, por meio de um grupo no WhatsApp, para pensar maneiras de ajudar a colega.

As reuniões do grupo, inicialmente on-line, passaram a ser presenciais. Cada história de violência compartilhada pelas integrantes nos encontros provou que a violência sofrida pela colega atriz, motivo inicial da reunião de todas, não era um caso isolado, mas uma realidade bastante comum. “Isso mostrou que a gente precisava fazer mais do que apenas sensibilizar a mídia e a sociedade. Era necessário redigir cartas, definir o que a organização representaria, fazer panfletos, decidir os programas, projetar oficinas”, declarou a atriz Padmapriya Janakiraman, uma das fundadoras do coletivo. Ela mesma sofreu uma agressão de um diretor em um set de filmagem apenas por não ter a “expressão correta”. #NaoMeAbsorva

A organização se reuniu com o Ministro Chefe de Kerala, Pinarayi Vijayan, estado em que se fala o idioma malaialo, para solicitar uma investigação do caso de estupro e colocar em debate questões como a disparidade salarial e o tratamento às mulheres dentro da indústria do cinema indiano. A ideia é criar diretrizes que garantam a segurança e o bem estar das mulheres nos sets de filmagem e a punição dos agressores.

O coletivo também exigiu ao Ministro que o governo passe a oferecer cursos para capacitar as mulheres nas habilidades técnicas do cinema, reservar vagas para o público feminino em cargos técnicos em estúdios governamentais, oferecer prêmios a filmes que abordem questões sobre igualdade de gênero e subsídios para produções que possuem pelo menos 30% de mulheres nas equipes.

A criação da organização, claro, incitou ataques de homens poderosos do cinema indiano, como o ator e produtor Mammootty, no intuito de desqualificar a proposta da ong. Em resposta, o coletivo publicou em sua página oficial no Facebook um comunicado. “Não estamos lutando contra homens ou indivíduos em particular. Nossa luta é contra as estruturas que sustentam a supremacia masculina, contra uma cultura que não está disposta a tratar as mulheres como iguais”. Precisa dizer mais? Acho que não.  A repercussão da WCC tem sido tão boa que um grupo de apoio semelhante está para ser criado em Chennai, capital do estado de Tamil Nadu, também no sul da Índia. A prova viva de que juntas somos mais fortes e podemos fazer muito mais por nós mesmas. Mulheres unidas, ativar!

 

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