ZEZÉ MOTTA, A REPRESENTATIVIDADE EM CENA

By March 28, 2018#CasaDeAraruama
ZEZÉ MOTTA, A REPRESENTATIVIDADE EM CENA

ZEZÉ MOTTA, A REPRESENTATIVIDADE EM CENA

Difícil encontrar palavras para definir a força e talento de Zezé Motta. Com uma trajetória profissional impecável, a atriz e cantora Zezé Motta, de 73 anos, tem dezenas de filmes e novelas no currículo, além de ampla discografia. Um dos mais importantes nomes da dramaturgia brasileira, a artista mostra como é extremamente expressivo ser negro e estar na televisão e cinema em papéis que fogem dos estereótipos. Ao longo da carreira, Zezé Motta abraçou causas importantes e participou de cargos no governo em defesa dos direitos humanos. Tornando-se assim um dos maiores símbolos de resistência negra do Brasil.

Porém, nem sempre foi assim. Na adolescência, Zezé Motta, em uma tentativa de embranquecimento, queria operar o nariz, alisava o cabelo e chegou a usar uma peruca chanel. “Eu morava num edifício de classe média baixa no Leblon, e a maioria das minhas amiguinhas era branca, e elas me falavam: ‘Ah, gosto tanto de você, mas seu cabelo é duro, né?’ (risos). Eu me achava feia. Me disseram isso e eu acreditei” relembra a atriz em entrevista ao Portal Extra.

O orgulho de ser negra veio aos 23 anos, durante uma viagem aos EUA. No auge do movimento black americano, começou a reparar naqueles negros que se achavam lindos, cheios de auto-estima e atitude. “Por que o negro brasileiro não tem essa postura?” refletiu a atriz. Voltou para o hotel e, como uma espécie de batismo, entrou em um banho, lavou a cabeça e deixou o cabelo ao natural, abandonando definitivamente o alisamento e a peruca.

Impossível pensar em Zezé Motta sem lembrar de seu personagem Xica da Silva, cujo filme homônimo sobre a escrava mais famosa da história do Brasil, de Cacá Diegues, completou 40 anos em 2017! O protagonismo do longa foi um divisor de águas na carreira da atriz, responsável por transformá-la em famosa internacionalmente e em um símbolo sexual, o que foi, de certa forma, uma vitória para a comunidade negra. Esse destaque foi também responsável por despertar na atriz a vontade de se posicionar e mostrar o lugar no negro na sociedade. A partir daí, Zezé Motta passou a usar sua posição de destaque para dar voz e representatividade a população negra muitas vezes discriminada. Surgiu então o Cidan- Centro de Informação e Documentação do Artista Negro, com intuito de conquistar mais espaço para o negro nas mídias.

De lá pra cá, Zezé Motta não parou. Ao longo de mais de 50 anos de carreira, a artista emprestou seu talento e força a diversos personagens emblemáticos e nos encantou com sua brilhante voz. Atualmente, a atriz vive uma líder de um quilombo, na novela  O Outro Lado do Paraíso, trazendo novamente à tona um importante debate sobre a marginalização da população quilombola.  Viva, Zezé Motta!

foto: Paula Klien

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