REDES DA MARÉ: DIREITOS NA FAVELA

By April 12, 2018#NaoMeAbsorva
REDES DA MARÉ: DIREITOS NA FAVELA

REDES DA MARÉ: DIREITOS NA FAVELA

Falei na coluna #DonaDeSi, que escrevo semanalmente na revista Marie Claire, sobre a minha experiência no Women of the World Fetival 2018, um dos maiores eventos feministas do mundo, realizado em Londres. E da minha felicidade em representar o Brasil junto com iniciativas sociais incríveis como o Redes da Maré, sediado na Zona Norte do Rio de Janeiro.

O complexo da Maré ganhou as capas de jornais ultimamente por conta do brutal assassinato de Marielle Franco, no dia 14 de março. A vereadora do PSol era “cria da favela da Maré” – como ela mesma se apresentava em seu site oficial – e a sua trajetória como acadêmica foi um ponto fora da curva na comunidade, onde apenas 0,05% das pessoas tem mestrado.

Em 2016, foi eleita no Rio de Janeiro – a quinta vereadora mais votada – com uma campanha focada no lema “Eu sou porque nós somos”, na qual se referia as mulheres, negras moradoras de favelas, como ela.

Marielle era um nome importante na garantia de direitos da população mais pobre do Rio de Janeiro. Em pouco menos de 13 meses de mandato, apresentou 13 projetos – um deles em que propunha atendimento humanizado nos casos de aborto legal. Dias depois de denunciar os maus tratos da PM com moradores do subúrbio de Acari, foi brutalmente assassinada a tiros enquanto saia de um evento. Até hoje não houve nenhuma notícia do poder público sobre os mandantes do crime.

Militantes não deixam de levantar bandeiras que o crime contra a vereadora faz parte de um genocídio do povo preto e pobre pelas mãos do descaso do Estado. Lésbica e militante, Marielle morreu defendendo a causa dos seus e levando melhorias para os moradores da região, dominada pela violência policial.

Muito da história de vereadora tem a ver com a Redes da Maré. Ela foi aluna, professora e chegou a ser coordenadora do curso pré-vestibular comunitário que deu origem à instituição. A Redes da Maré trabalha através dos eixos de Arte e Cultura, Desenvolvimento Territorial, Direito à Segurança Pública e acesso à Justiça, Educação, Identidades/Memória e Comunicação.

Ao todo, 1.200 pessoas por ano são beneficiadas diretamente pelos projetos. De forma articulada, as ações buscam diariamente a ampliação de oportunidades para os moradores, que ao viverem numa favela sofrem historicamente diferentes formas de violações de direitos fundamentais.

O objetivo do eixo Direito à Segurança Pública e acesso à Justiça, por exemplo, é proteger a população da violência cotidiana no enfrentamento entre polícia e grupos civis armados que comercializam drogas ilícitas. Enquanto, outros eixos como Educação, Arte e Cultura visam contribuir para a formação cultural e profissional dos moradores da região. A instituição não governamental é dirigida por pessoas que têm origem na própria comunidade.

A Maré abriga cerca de 140 mil pessoas, distribuídas em 16 comunidades, numa área de pouco mais de 4 km². É o complexo mais populoso do Rio de Janeiro. Todo esse perímetro é atingido pelas ações da Redes. São ações como essa que podem transformar a sociedade. Já no caso da Marielle nós seguimos pedindo justiça! #MariellePresente #HojeeSempreMarielle

Foto: Douglas Lopes

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