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REDES DA MARÉ: DIREITOS NA FAVELA

REDES DA MARÉ: DIREITOS NA FAVELA

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REDES DA MARÉ: DIREITOS NA FAVELA

Falei na coluna #DonaDeSi, que escrevo semanalmente na revista Marie Claire, sobre a minha experiência no Women of the World Fetival 2018, um dos maiores eventos feministas do mundo, realizado em Londres. E da minha felicidade em representar o Brasil junto com iniciativas sociais incríveis como o Redes da Maré, sediado na Zona Norte do Rio de Janeiro.

O complexo da Maré ganhou as capas de jornais ultimamente por conta do brutal assassinato de Marielle Franco, no dia 14 de março. A vereadora do PSol era “cria da favela da Maré” – como ela mesma se apresentava em seu site oficial – e a sua trajetória como acadêmica foi um ponto fora da curva na comunidade, onde apenas 0,05% das pessoas tem mestrado.

Em 2016, foi eleita no Rio de Janeiro – a quinta vereadora mais votada – com uma campanha focada no lema “Eu sou porque nós somos”, na qual se referia as mulheres, negras moradoras de favelas, como ela.

Marielle era um nome importante na garantia de direitos da população mais pobre do Rio de Janeiro. Em pouco menos de 13 meses de mandato, apresentou 13 projetos – um deles em que propunha atendimento humanizado nos casos de aborto legal. Dias depois de denunciar os maus tratos da PM com moradores do subúrbio de Acari, foi brutalmente assassinada a tiros enquanto saia de um evento. Até hoje não houve nenhuma notícia do poder público sobre os mandantes do crime.

Militantes não deixam de levantar bandeiras que o crime contra a vereadora faz parte de um genocídio do povo preto e pobre pelas mãos do descaso do Estado. Lésbica e militante, Marielle morreu defendendo a causa dos seus e levando melhorias para os moradores da região, dominada pela violência policial.

Muito da história de vereadora tem a ver com a Redes da Maré. Ela foi aluna, professora e chegou a ser coordenadora do curso pré-vestibular comunitário que deu origem à instituição. A Redes da Maré trabalha através dos eixos de Arte e Cultura, Desenvolvimento Territorial, Direito à Segurança Pública e acesso à Justiça, Educação, Identidades/Memória e Comunicação.

Ao todo, 1.200 pessoas por ano são beneficiadas diretamente pelos projetos. De forma articulada, as ações buscam diariamente a ampliação de oportunidades para os moradores, que ao viverem numa favela sofrem historicamente diferentes formas de violações de direitos fundamentais.

O objetivo do eixo Direito à Segurança Pública e acesso à Justiça, por exemplo, é proteger a população da violência cotidiana no enfrentamento entre polícia e grupos civis armados que comercializam drogas ilícitas. Enquanto, outros eixos como Educação, Arte e Cultura visam contribuir para a formação cultural e profissional dos moradores da região. A instituição não governamental é dirigida por pessoas que têm origem na própria comunidade.

A Maré abriga cerca de 140 mil pessoas, distribuídas em 16 comunidades, numa área de pouco mais de 4 km². É o complexo mais populoso do Rio de Janeiro. Todo esse perímetro é atingido pelas ações da Redes. São ações como essa que podem transformar a sociedade. Já no caso da Marielle nós seguimos pedindo justiça! #MariellePresente #HojeeSempreMarielle

Foto: Douglas Lopes

OPRAH, UM ÍCONE

OPRAH, UM ÍCONE

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É difícil encontrar alguém que não conheça Oprah! Uma das mulheres mais poderosas dos EUA, a norte-americana dispensa até sobrenome. Com uma fortuna estimada em quase US$3 bilhões, Oprah Winfrey é atualmente a terceira mulher mais rica dos EUA. Mas sua trajetória foi longa até alcançar sua posição atual como apresentadora, atriz e empresária de sucesso.

Nascida em um pequeno povoado do Estado do Mississipi e filha de uma empregada doméstica mãe solteira, Oprah foi criada pela avó materna em uma fazenda. Sob a orientação rigorosa de sua avó, ela aprendeu a ler com dois anos e meio de idade. Aos três anos, ela já entrevistava sua boneca e os corvos que pousavam perto à cerca da casa. Era tão boa oradora em período escolar que, na Igreja, lhe chamavam de “a pregadora”.

Aos seis anos, Winfrey foi enviada para o norte para morar com sua mãe e dois meio-irmãos em um gueto de Milwaukee, um bairro extremamente pobre e perigoso. Aos nove anos, acabou estuprada por um primo. E, infelizmente, os abusos não acabaram por aí. Oprah também foi abusada sexualmente por outros parentes e amigos da família.

Aos doze anos Oprah foi enviada para morar com o pai em Nashville, Tennessee. Nesse período, sentindo-se segura e feliz, começou a fazer discursos em reuniões sociais e igrejas, e uma vez ganhou quinhentos dólares por um discurso. Sabia então que queria ser “paga para falar”.

No entanto, foi chamada de volta pela mãe e teve que abandonar a vida tranquila que tinha com o pai. Sua mãe trabalhava e não tinha muito tempo para supervisioná-la. A vida com a mãe teve um efeito negativo na vida de Winfrey quando jovem. Depois de anos de mau comportamento, a mãe de Winfrey mandou-a de volta para o pai em Nashville.

A ida para morar com o pai foi o ponto de virada na vida de Oprah, que afirma que ele salvou sua vida. Muito rigoroso, o pai lhe dava orientação, estrutura, regras e livros. Tornou-se uma excelente aluna. Ganhou uma bolsa integral para a Tennessee State University. No ano seguinte, ela foi convidada para uma Conferência da Casa Branca sobre a Juventude.

Aos 17 anos, Oprah foi coroada como Miss Fire Prevention (Miss Prevenção de Incêncios), e por causa disso, foi à WVOL, uma estação de rádio local de Nashville, onde, de brincadeira, coube a ela narras as notícias. Ela fez aquilo tão bem que foi contratada pela estação.

Pouco tempo depois, a afiliada do Nashville Columbia Broadcasting System (CBS) ofereceu-lhe um emprego. Tornando-se a primeira mulher afro-americana de Nashville a se apresentar no noticiário da noite. Ela tinha dezenove anos e ainda estava no segundo ano da faculdade.

Sua carreira na televisão deslanchou! E, no começo dos anos 80 foi chamada para assumir como âncora do A.M Chicago, um famoso talk show matutino. Sob seu comando, o programa começou a dar mais destaques a temas atuais e mais polêmicos, deixando de lado os temas femininos tradicionais. Agora renomeado para Oprah Winfrey Show, o programa destacou-se ao levar pela primeira vez à TV entrevistas com pessoas comuns. O show foi líder de audiência na TV americana por 25 anos até que Oprah resolveu criar seu próprio canal a cabo- o Oprah Winfrey Network, além de uma bem-sucedida revista e uma empresa de produção cinematográfica.

Porém, o sucesso de Oprah não se limita ao seu trabalho na TV. Ela já foi indicada ao Oscar duas vezes, com as produções “A Cor Púrpura”, de 1985, e “Selma”, em 2014. Em 2011, ela recebeu um Oscar honorário por seu trabalho humanitário.

O poder de Oprah é tão grande nos EUA que muitos a querem na Casa Branca como presidente nas próximas eleições. Imagina ter essa mulher maravilhosa como presidente dos EUA?

 

foto: Mario Testino

VELA QUE AJUDA O PODER FEMININO

VELA QUE AJUDA O PODER FEMININO

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VELA QUE AJUDA O PODER FEMININO

Vocês sabem como eu considero super importante as mulheres se unirem para conquistarem seus espaços e direitos. Felizmente, temos visto cada vez mais o poder feminino e a sororidade crescerem ao redor do mundo. E, muitos projetos, que surgem de parcerias entre instituições e empresas, têm contribuído para a conscientização da importância dessa busca por igualdades.

Exemplo disso é a união de forças das marcas L’Occitane en Provence– por meio da Fundação L’Occitane- e da revista Marie Claire para criarem a ação solidária La Flamme, que tem como objetivo principal contribuir para a educação e emancipação feminina em todo o mundo. A iniciativa, criada originalmente em 2015 na França, utiliza os lucros da venda da vela La Flamme (criada especialmente para a campanha), que leva o nome de uma chama por ser símbolo de esperança e de luz do conhecimento, para apoiar ações relacionadas à causa feminina.

A verba arrecada com a venda das velas La Flamme Marie Claire nas lojas L’Occitane en Provence do Brasil serão destinadas ao Consulado da Mulher, ação social da marca Consul. O instituto trabalha, desde 2002, com incentivos ao empreendedorismo feminino como forma de promoção da transformação social. Com um alcance em todo o território brasileiro, a organização seleciona, apoia e empodera mulheres empreendedoras, ajudando-as com a gestão de micronegócios, fornecendo capacitações para que elas possam empreender da forma mais eficiente e consigam ampliar seus negócios e sair da informalidade.

Desde 2015, a ação La Flamme já contribuiu para instituições de diversos países, como Reino Unido, Estados Unidos, Itália e Espanha. E agora, além de contribuir para o trabalho do Consulado da Mulher, no Brasil, a ação apoiará as instituições Entrepreneurs du Monde, em Burkina Faso (África) e Toutes à L’école, no Camboja.

Com um perfume floral, a vela La Flamme Marie Clarie já estão sendo vendidas por R$40 em todas as lojas físicas e também no e-commerce da L’Occitane en Provence. Você pode ajudar muitas mulheres ao apoiar essa ação tão charmosa e inspiradora.

ZEZÉ MOTTA, A REPRESENTATIVIDADE EM CENA

ZEZÉ MOTTA, A REPRESENTATIVIDADE EM CENA

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ZEZÉ MOTTA, A REPRESENTATIVIDADE EM CENA

Difícil encontrar palavras para definir a força e talento de Zezé Motta. Com uma trajetória profissional impecável, a atriz e cantora Zezé Motta, de 73 anos, tem dezenas de filmes e novelas no currículo, além de ampla discografia. Um dos mais importantes nomes da dramaturgia brasileira, a artista mostra como é extremamente expressivo ser negro e estar na televisão e cinema em papéis que fogem dos estereótipos. Ao longo da carreira, Zezé Motta abraçou causas importantes e participou de cargos no governo em defesa dos direitos humanos. Tornando-se assim um dos maiores símbolos de resistência negra do Brasil.

Porém, nem sempre foi assim. Na adolescência, Zezé Motta, em uma tentativa de embranquecimento, queria operar o nariz, alisava o cabelo e chegou a usar uma peruca chanel. “Eu morava num edifício de classe média baixa no Leblon, e a maioria das minhas amiguinhas era branca, e elas me falavam: ‘Ah, gosto tanto de você, mas seu cabelo é duro, né?’ (risos). Eu me achava feia. Me disseram isso e eu acreditei” relembra a atriz em entrevista ao Portal Extra.

O orgulho de ser negra veio aos 23 anos, durante uma viagem aos EUA. No auge do movimento black americano, começou a reparar naqueles negros que se achavam lindos, cheios de auto-estima e atitude. “Por que o negro brasileiro não tem essa postura?” refletiu a atriz. Voltou para o hotel e, como uma espécie de batismo, entrou em um banho, lavou a cabeça e deixou o cabelo ao natural, abandonando definitivamente o alisamento e a peruca.

Impossível pensar em Zezé Motta sem lembrar de seu personagem Xica da Silva, cujo filme homônimo sobre a escrava mais famosa da história do Brasil, de Cacá Diegues, completou 40 anos em 2017! O protagonismo do longa foi um divisor de águas na carreira da atriz, responsável por transformá-la em famosa internacionalmente e em um símbolo sexual, o que foi, de certa forma, uma vitória para a comunidade negra. Esse destaque foi também responsável por despertar na atriz a vontade de se posicionar e mostrar o lugar no negro na sociedade. A partir daí, Zezé Motta passou a usar sua posição de destaque para dar voz e representatividade a população negra muitas vezes discriminada. Surgiu então o Cidan- Centro de Informação e Documentação do Artista Negro, com intuito de conquistar mais espaço para o negro nas mídias.

De lá pra cá, Zezé Motta não parou. Ao longo de mais de 50 anos de carreira, a artista emprestou seu talento e força a diversos personagens emblemáticos e nos encantou com sua brilhante voz. Atualmente, a atriz vive uma líder de um quilombo, na novela  O Outro Lado do Paraíso, trazendo novamente à tona um importante debate sobre a marginalização da população quilombola.  Viva, Zezé Motta!

foto: Paula Klien

A LUTA POR UMA SOCIEDADE IGUALITÁRIA


A LUTA POR UMA SOCIEDADE IGUALITÁRIA


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A LUTA POR UMA SOCIEDADE IGUALITÁRIA

Ao longo de muitos anos, as mulheres tem batalhado para conquistar- de forma lenta e gradativa- seus direitos. Muitos foram conquistados, mas sabemos que a construção da sociedade igualitária que tanto almejamos é algo que demanda um enorme trabalho de conscientização e apoio, principalmente, entre as mulheres. A organização sem fins lucrativos Casa da Mulher Trabalhadora (CAMTRA) é um exemplo de dedicação e luta feminina.

Fundada em 1997, no Rio de Janeiro, a organização feminista CAMTRA surgiu com a ideia de construir uma sociedade justa e igualitária por meio de incentivos a mulheres, ajudando-as a promover seus direitos e fortalecer suas autonomias. Pensando nisso, a CAMTRA investe no trabalho junto às mulheres pobres, além de grupos comunitários e coletivos de mulheres.

A CAMTRA trabalha com quatro principais temas que considera essenciais para a luta feminista – direitos sexuais e direitos reprodutivos; educação para autonomia; trabalho das mulheres; e violência contra as mulheres.

O pleno exercício dos direitos sexuais e reprodutivos pelas mulheres é fundamental para assegurar seus direitos humanos, porém isso está sendo impedido pelo alto índice de conservadorismo e a tutela do corpo das mulheres na concepção das políticas públicas. Por isso, a CAMTRA luta pelo direito da mulher de ter autonomia sobre o seu próprio corpo, sendo livre para escolher reproduzir ou não, além de buscar aumentar o acesso às informações e educação sexual, aos métodos contraceptivos, a vivência da sexualidade livre de discriminação e violência.

Outro tópico trabalhado pela organização é o incentivo à educação (não apenas formal, mas também popular, valorizando os saberes prévios do povo e suas realidades culturais) como forma de disseminação de valores sociais no combate às discriminações, em especial as de gênero, raça/etnia e orientação sexual.

A valorização do trabalho das mulheres é outra frente por qual a CAMTRA luta. Culturalmente responsabilizadas pelos serviços de casa (trabalho socialmente desvalorizado e invisibilizado), as mulheres, principalmente as negras, enfrentam maior dificuldade na hora de se inserirem no mercado de trabalho remunerado, ficando com funções mais precarizadas e mal remuneradas, com menos acesso a direitos. A organização luta para acabar com isso, disseminando informações sobre direitos e visibilidade das condições de trabalho das mulheres e sua autonomia econômica.
 Além disso, a Casa da Mulher Trabalhadora junta-se aos esforços de luta de combate a violência contra as mulheres, que é uma das formas mais graves de desigualdade entre homens e mulheres.

Com um trabalho amplo e balanceado, a organização sem fins lucrativos trabalha há mais de 20 anos para melhorar a autonomia e empoderamento feminino em comunidades do Rio de Janeiro. Infelizmente, ainda não alcançamos uma sociedade totalmente justa e igualitária, mas trabalhos como esse que nos fazem acreditar que estamos cada vez mais próximos do nosso objetivo final!

 

UM BRASIL QUE NÃO SE VÊ NAS TELAS

UM BRASIL QUE NÃO SE VÊ NAS TELAS

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UM BRASIL QUE NÃO SE VÊ NAS TELAS

O Brasil é um país miscigenado (formado por negros – 50,7% da população –, brancos e indígenas) e com mais mulheres do que homens – 51%, para ser mais exata. Mas não é este o cenário que vemos nas telas do cinema nacional. Segundo recente pesquisa da Agência Nacional de Cinema (Ancine), dos 97 filmes lançados em 2016, 40,6% tinham mulheres no elenco e apenas 13,4% deles contavam com a presença de atores negros – em 42% das produções analisadas não havia a presença de nenhum ator ou atriz negro. “Me surpreendeu o fato de o elenco principal ter tão pouca representação negra. Isso significa que a população brasileira não está se enxergando no audiovisual”, disse Luana Rufino, superintendente de Análise de Mercado da Ancine e coordenadora da pesquisa, em entrevista ao jornal El País.

O levantamento também revelou outros dados preocupantes: dos 142 longas-metragens lançados em 2016, 75,4% foram dirigidos por homens brancos – nenhum foi dirigido ou teve como roteirista uma mulher negra. Apenas 19,7% (ou 28 filmes) foram dirigidos por mulheres – todas brancas – e somente oito produções, ou 5,6%, tiveram um negro, pardo ou outra raça como roteirista. Nós mulheres só estamos mais presentes que os homens na área de produção executiva – no total, 39,7% dos filmes foram produzidos por mulheres e duas produções tiveram entre suas produtoras-executivas alguma mulher negra em parceria com uma mulher branca (a pesquisa não contemplou a presença de profissionais transgênero). Outro ponto importante e bastante sintomático apresentado pela pesquisa: 80% dos filmes analisados são do sudeste do país.

Para mudar este cenário, o Ministério da Cultura (MinC) lançou neste ano o programa #AudiovisualGeraFuturo, que conta com 11 editais com vagas reservadas para projetos audiovisuais (curtas, longas e animação) de mulheres (cisgênero e transgênero), negros e indígenas. A iniciativa visa aumentar a participação desses grupos no mercado, especialmente em direção e roteiro, e abrir espaço para que outras narrativas sejam contadas através das telas no nosso cinema.

Eu tive a honra de apresentar o evento de anúncio dessa política afirmativa e pude falar em nome das mulheres que agora terão mais oportunidades de tornarem reais seus projetos audiovisuais. As inscrições vão até o mês de abril. O MinC também lançou um edital de apoio à realização de festivais, mostras, premiações, eventos de mercado e ações de promoção e difusão da produção audiovisual brasileira.

A iniciativa tem como diferencial a distribuição regional de recursos, de maneira a estimular o apoio a eventos realizados fora do eixo Rio/São Paulo: no mínimo 30% dos recursos deverão ser destinados a projetos de empresas sediadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e pelo menos 20% a projetos da região Sul e dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. As inscrições estão abertas e vão até setembro de 2019. O Brasil é diverso e essa diversidade precisa ser representada no nosso cinema. Representatividade importa e tem o poder de mudar a realidade de um país. Viva a pluralidade de narrativas!

tonia, a deusa dos olhos azuis

TÔNIA, A DEUSA DOS OLHOS AZUIS

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TÔNIA, A DEUSA DOS OLHOS AZUIS

Quando penso em Tônia Carrero, me lembro automaticamente da sua beleza impactante. Uma mulher lindíssima dona de um par de olhos azuis deslumbrantes cujo brilho tirava do prumo figuras do naipe de Carlos Drummond de Andrade, Di Cavalcanti, Rubem Braga e Vinicius de Moraes. “Como os homens se diminuem diante da beleza de uma mulher”, dizia, sempre bem humorada. Seu rosto era tão marcante e único que chegou a estampar a moeda de dez cruzeiros na década de 1950 (ela representava a figura da República).

Nascida em 1922, no Rio de Janeiro, viveu até a adolescência na Tijuca, mas aos 17 anos mudou-se para a Vieira Solto – tenho pra mim que ela foi uma das primeiras lendárias garotas de Ipanema. Iniciou sua carreira artística no cinema na década de 1940 e foi protagonista do filme Tico Tico no Fubá, considerado uma das melhores obras da Vera Cruz. Brilhou também na TV, dando vida a personagens inesquecíveis como a Cristina de Pigmalião 70 (1970), a Stella de Água Viva (1980) e a Rebeca de Sassaricando (1986).

Mas o teatro era de fato a sua grande paixão. No palco, ela teve a oportunidade de mostrar toda a sua versatilidade e nos presenteou com interpretações emblemáticas em espetáculos como Navalha na Carne, de Plínio Marcos; Casa de Bonecas, de Ibsen; Doce Pássaro da Juventude, de Tennessee Williams; Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de Edward Albee, e A Visita da Velha Senhora, de Friedrich Dürrenmatt.

Visionária, fundou ao lado do segundo marido, o diretor italiano Adolfo Celi, e do amigo Paulo Autran, a Companhia Tônia-Celi-Autran, que contribuiu bastante para o desenvolvimento do teatro brasileiro nas décadas de 1950 e 1960. Extremamente politizada, foi uma das participantes da Passeata dos 100 mil, que protestou contra a censura à Cultura imposta pela Ditadura Militar, em 1968 – ela aparece na linha de frente na icônica foto da manifestação, ao lado de nomes como Silvia Becker, Odete Lara e Eva Vilma.

Ao longo de 70 anos de carreira, contabilizou 54 peças, 19 filmes e 15 novelas, provou que beleza e talento podem sim andar juntos e em perfeita harmonia e com a sua personalidade e determinação abriu caminho para as atrizes da minha geração e das gerações posteriores. No início de março, Tônia, aos 95 anos, decidiu nos deixar. Como bem disse a colega Renata Sorrah, “o matriarcado do teatro brasileiro perdeu um de seus maiores nomes”. Tônia, você saiu de cena, mas seu inestimável legado será eterno!

DESLIGUE O SEU SMARTPHONE E ABRA UM LIVRO!

DESLIGUE O SEU SMARTPHONE E ABRA UM LIVRO!

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DESLIGUE O SEU SMARTPHONE E ABRA UM LIVRO!

Eu sou uma leitora voraz, sempre fui, desde menina. Viver apenas uma vida sempre me pareceu pouco demais e essa foi, por sinal, uma das razões que me motivaram a ser atriz. Ler sempre foi uma forma de não apenas viver outras histórias, mas também de viajar para lugares distantes e fazer novas amizades. A leitura, infelizmente, nunca foi um hábito difundido em nosso país e com o advento da internet e dos smartphones foi perdendo cada vez mais força. Nada contra as novas tecnologias (quem me conhece sabe que eu sou totalmente fã dessas novidades que, na maioria das vezes, facilitam e muito a nossa vida), mas é impossível não notarmos os impactos nocivos delas aos índices de leitura nacional.

Com o intuito de mudar este cenário, o desenvolvedor de software Fernando Tremonti criou o Leitura no Vagão , projeto que leva livros a terminais de ônibus e estações do metrô de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. “Eu já tinha o hábito de deixar livros por onde passava. Se terminava um livro num restaurante, por exemplo, ele ficava por ali. Então decidi criar um projeto e centralizar esse movimento no ambiente que eu mais frequentava.”, disse em entrevista ao blog Livros, educação e Tecnologia, do jornal O Estado de S. Paulo.

A iniciativa funciona da seguinte maneira: um livro é deixado no banco para que um usuário possa lê-lo durante seu percurso no metrô ou no ônibus. A ideia é que a pessoa leia, tire uma selfie com o livro e use a hashtag #LeituraNoVagao para falar sobre a obra. Depois disso, o livro deve ser passado para frente para que outros possam ler. No começo, Tremonti compartilhava os livros que tinha em sua casa, em São Paulo, e divulgava os locais onde os deixava por meio das redes sociais. Com o tempo, o projeto foi se tornando conhecido e começou a receber doações de livros de outros leitores e também de editoras dispostas a contribuir com essa corrente do bem. Hoje, passados três anos, a iniciativa conta com o apoio do metrô de São Paulo e do Rio de Janeiro e já chegou a cidades como Brasília e até Santiago, no Chile.

Outro projeto superinteressante neste sentido é o Esqueça um Livro, criado também em São Paulo pelo jornalista Felipe Brandão. A iniciativa foi inspirada no conceito estadunidense “book crossing”, que propõe o compartilhamento de “livros esquecidos” em lugares públicos. A primeira ação do projeto foi realizada no aniversário de São Paulo (25 de janeiro) e consistiu na distribuição de mais mil livros previamente arrecadados por Brandão – em pouco mais de 30 minutos, todos os exemplares já tinham novos donos. O sucesso da iniciativa é tamanho que, desde 2013, conta com edições itinerantes em diversas cidades do país.
Para participar é muito simples: o interessado deve baixar e imprimir um marcador do Esqueça um Livro, disponível no site do projeto. Depois, deve “esquecer” um livro em algum lugar público com o marcador. O livro “esquecido” deve ser fotografado e a imagem deve ser enviada para o site do projeto, com a legenda, nome do livro, autor e local onde o livro foi deixado. “Sonho com o dia em que alguém vai me abordar para dizer que começou a ler por causa do projeto”, afirma Felipe. Um sonho lindo, não é mesmo? Eu sou super favorável a essas criativas iniciativas que contribuem para a circulação ideias e conhecimento e estimulam o contato do público com os livros. Vamos ler mais, Brasil! Faz um bem danado ☺

O MELHOR PAÍS DO MUNDO PARA SER MULHER 

O MELHOR PAÍS DO MUNDO PARA SER MULHER 

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O MELHOR PAÍS DO MUNDO PARA SER MULHER 

Um dos temas que eu mais abordo aqui no journal e na minha coluna #DonaDeSi, no site da Marie Claire, é a importância de batalharmos juntos por uma sociedade mais igualitária. A desigualdade de gênero é um mal que assola o mundo inteiro. O mais recente relatório Global Gender Gap, publicado anualmente pelo Fórum Econômico Mundial desde 2006, estima que será preciso UM SÉCULO para reduzir a diferença de gênero no mundo se continuarmos no ritmo em que nos encontramos.

Levando em conta as desigualdades no local de trabalho, a estimativa da instituição é de que só teremos igualdade daqui a 217 ANOS! O ranking analisa a evolução da igualdade em 144 países do mundo com base em indicadores como oportunidades econômicas e participação política. Ano passado, o Brasil caiu para a posição 90 – no primeiro estudo, o Brasil ocupava a 67ª posição. #NãoMeAbsorva

Tendo em vista todas essas previsões nada animadoras, é importante destacarmos iniciativas implementadas ao redor do mundo que visam justamente melhorar este cenário. É o caso da Islândia, primeiro país do mundo a tornar ilegal e punir com multas quem paga um salário maior para um homem, em relação a uma mulher, quando eles ocupam o mesmo cargo. Pela nova legislação, implementada em janeiro deste ano, todas as empresas privadas e agências governamentais com mais de 25 funcionários são obrigadas a obter uma certificação oficial que comprove suas políticas de igualdade salarial entre homens e mulheres.

Os empregadores que não cumprirem a legislação estarão sujeitos a multa, que pode chegar a 50 mil coroas islandesas (cerca de R$ 1.500) por dia de descumprimento. Empresas com mais de 250 funcionários têm até o final deste ano para se adequar à nova regra, enquanto que companhias com menos de 90 funcionários podem se adequar até 2021. A nova lei foi aprovada por todos os partidos políticos do Parlamento islandês, onde 41% dos deputados e funcionários são mulheres. #RepresentatividadeImporta.

A meta da Islândia é eliminar a desigualdade de salários entre homens e mulheres até 2020. No ranking do Fórum Econômico Mundial, o país é apontado como a nação em que há mais igualdade de gênero, à frente de nações como Noruega, Finlândia e Suécia. Por conta disso, é considerado, atualmente, o melhor país do mundo para ser mulher. Apesar do destaque, as mulheres islandesas ainda ganham entre 14% e 18% menos do que os homens, segundo dados do próprio governo – na União Europeia, a diferença de salários entre homens e mulheres é, em média, de 16%.

E foi graças à união delas que a situação começou a mudar. Em outubro de 2016, milhares de mulheres saíram às ruas para reivindicar a igualdade salarial. Elas pararam de trabalhar às 14h38, horário a partir do qual elas calculam que começam a trabalhar de graça, levando em consideração a discrepância salarial com os homens (um levantamento semelhante, feito no Brasil, mas considerando os 365 dias do ano, mostrou que as mulheres passam a trabalhar de “graça” a partir do dia 19 de outubro).

Do protesto, as trabalhadoras seguiram direto para o Parlamento – estima-se que 90% das mulheres do país aderiram à manifestação, incluindo as donas de casa. Segundo dados oficiais, na Islândia 80% das mulheres trabalham e ocupam 65% das vagas universitárias. No país, pais e mães têm licença remunerada e cada um pode ficar em casa por três meses após o nascimento dos filhos e ganham outros três meses de licença, também remunerada, para dividir da forma que quiserem. Exemplos práticos a serem seguidos por outras nações, incluindo a nossa, em busca de uma sociedade igualitária.

Foto: INTS Kalnins/Reuters

Mulheres unidas, ativar!

MULHERES UNIDAS, ATIVAR!

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MULHERES UNIDAS, ATIVAR!

Eu acredito profundamente no poder transformador da sororidade. Quanto mais nós mulheres nos ajudamos mutuamente, mais próximas ficamos da sociedade igualitária que tanto almejamos. A organização sem fins lucrativos Women in Cinema Collective (WCC) é um exemplo da força da união feminina.

Ela foi criada no ano passado a partir de um caso de estupro sofrido por uma atriz do cinema malaialo, uma das quatro indústrias cinematográficas do sul da Índia, que chocou a opinião pública. Quando um ator popular emergiu como o principal acusado, o choque se transformou em indignação coletiva. Um grupo de mulheres que atuam no cinema decidiu se reunir, por meio de um grupo no WhatsApp, para pensar maneiras de ajudar a colega.

As reuniões do grupo, inicialmente on-line, passaram a ser presenciais. Cada história de violência compartilhada pelas integrantes nos encontros provou que a violência sofrida pela colega atriz, motivo inicial da reunião de todas, não era um caso isolado, mas uma realidade bastante comum. “Isso mostrou que a gente precisava fazer mais do que apenas sensibilizar a mídia e a sociedade. Era necessário redigir cartas, definir o que a organização representaria, fazer panfletos, decidir os programas, projetar oficinas”, declarou a atriz Padmapriya Janakiraman, uma das fundadoras do coletivo. Ela mesma sofreu uma agressão de um diretor em um set de filmagem apenas por não ter a “expressão correta”. #NaoMeAbsorva

A organização se reuniu com o Ministro Chefe de Kerala, Pinarayi Vijayan, estado em que se fala o idioma malaialo, para solicitar uma investigação do caso de estupro e colocar em debate questões como a disparidade salarial e o tratamento às mulheres dentro da indústria do cinema indiano. A ideia é criar diretrizes que garantam a segurança e o bem estar das mulheres nos sets de filmagem e a punição dos agressores.

O coletivo também exigiu ao Ministro que o governo passe a oferecer cursos para capacitar as mulheres nas habilidades técnicas do cinema, reservar vagas para o público feminino em cargos técnicos em estúdios governamentais, oferecer prêmios a filmes que abordem questões sobre igualdade de gênero e subsídios para produções que possuem pelo menos 30% de mulheres nas equipes.

A criação da organização, claro, incitou ataques de homens poderosos do cinema indiano, como o ator e produtor Mammootty, no intuito de desqualificar a proposta da ong. Em resposta, o coletivo publicou em sua página oficial no Facebook um comunicado. “Não estamos lutando contra homens ou indivíduos em particular. Nossa luta é contra as estruturas que sustentam a supremacia masculina, contra uma cultura que não está disposta a tratar as mulheres como iguais”. Precisa dizer mais? Acho que não.  A repercussão da WCC tem sido tão boa que um grupo de apoio semelhante está para ser criado em Chennai, capital do estado de Tamil Nadu, também no sul da Índia. A prova viva de que juntas somos mais fortes e podemos fazer muito mais por nós mesmas. Mulheres unidas, ativar!