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O LUGAR DA MULHER

O LUGAR DA MULHER

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O LUGAR DA MULHER

De todas as cenas do filme Titanic, um dos maiores vencedores de Óscar da história, há uma em particular que me marcou profundamente: a que a protagonista Rose (interpretada pela bela Kate Winslet) observa uma menina sendo ensinada pela mãe a se portar como uma “dama” à mesa do chá. Essa observação é reveladora, o que na dramaturgia chamamos de epifania, e marca uma decisiva mudança de comportamento da personagem.

Delicadeza, beleza e fragilidade foram, durante anos, alguns dos adjetivos mais utilizados para definir a nós mulheres. Palavras que, por traz de um verniz de sutileza, limitam o conceito do que é ser mulher, interferem diretamente do desenvolvimento da nossa autoestima e geram inúmeras inseguranças.

Por entender que a insegurança é algo imposto pela sociedade há anos à medida que as crianças crescem, sobretudo as meninas, a fotógrafa norte-americana Kate Parker decidiu registrar os momentos em que suas duas filhas exercitavam a própria espontaneidade, rompendo totalmente com aquilo que se espera de uma menina em nossa sociedade. “Minhas meninas sabem que elas são perfeitas do jeito que são: aventureiras, felizes, atléticas e engraçadas. Elas não precisam ter o cabelo arrumado, roupas combinando ou estarem limpas o tempo todo. Serem fortes é o suficiente”, afirma. As lindas imagens se transformaram no maravilhoso livro Strong is the New Pretty (Força é a Nova Beleza) #recomendo.

Acho a proposta da Kate super interessante justamente por questionar um padrão imposto há anos. Ao registrar e apresentar o comportamento “transgressor” de suas filhas, ela nos transmite uma mensagem importante de que quem tem de decidir o que somos e como devemos agir na sociedade somos nós mesmas e mais ninguém. Porque essa decisão impacta diretamente na nossa autoestima, na nossa autonomia, na nossa essência, na nossa felicidade e é determinante para os rumos que damos às nossas vidas, no âmbito pessoal e profissional. Palavras têm poder e devemos saber como usá-las a nosso favor. Elas até podem ajudar a nos descrever enquanto seres, mas jamais nos limitar. Lugar de mulher é onde ela quiser! #girlpower.

Um brinde ao teatro

UM BRINDE AO TEATRO

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UM BRINDE AO TEATRO

O teatro sempre fez parte da minha vida. Quando criança, eu costumava criar cenas inteiras na varanda da casa de Araruama e fazer apresentações improvisadas para os meus vizinhos vestida de Mulher Maravilha. Atuar sempre foi minha brincadeira preferida, um espaço no qual eu conseguia extravasar tanto a minha criatividade, quanto a minha hiperatividade – Felipão, meu pai, agradecia, hahahahahahahaha

Com o tempo, a brincadeira foi ficando séria e se transformou em um amor arrebatador. Eu dei os meus primeiros passos como atriz ainda adolescente no Tablado, tendo como mentora a querida Camilla Amado (que sorte a minha!).

Mas o teatro em si foi a minha grande escola profissional. Foi nele que aprendi o que é ser uma atriz completa e vivenciei algumas das minhas mais inesquecíveis experiências profissionais. O teatro também me encorajou a correr atrás dos meus sonhos e me ensinou a importância de ser uma atriz/produtora para dar vida à minha visão criativa, um aprendizado que eu coloquei em prática desde o início, com o espetáculo Do Outro Lado da Tarde, ao lado da minha amiga Maria Maya, e que exercito até hoje, com a minha peça De Perto Ela Não é Normal, há 15 anos em cartaz – e que em breve ganhará uma versão no cinema #aguardem!

Mas a minha grande gratidão com o teatro está ligada ao meu contato direto com vocês, meu público amado. A comunhão do ator com a plateia é algo mágico e especial e uma das coisas que mais me emocionam enquanto artista. Disse certa vez o escritor Carlos Drummond de Andrade que o ato de ir ao teatro é como ir à vida sem nos comprometer.

Concordo plenamente. Ir ao teatro, mais que um programa cultural, é uma iniciativa quase terapêutica. Costumo dizer que cada apresentação é única e especial e que todos os elementos envolvidos nessa grande celebração da vida (atores em cena e plateia) saem transformados ao fim de cada espetáculo.

Mas por que você decidiu falar sobre teatro hoje, Suzi?, alguns de vocês podem estar se perguntando. Bom, meus amores, fora a minha já declarada paixão por esta expressão artística milenar, o que me motivou a falar sobre assunto com vocês é que hoje, 19 de setembro, é comemorado o Dia Nacional do Teatro.

Fiquei curiosa em saber como é a relação de vocês com o teatro. Temos atores por aqui? Vocês têm atores mirins na família (quem sabe um filho, sobrinha ou vizinha que, assim como a Suzi pequena, organiza espetáculos caseiros para a família inteira, hahahahahaha). Me contem nos comentários!

 

Terapia do Riso

TERAPIA DO RISO

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TERAPIA DO RISO

Minha avó costumava dizer: rir é melhor remédio para os males da vida. Acredito que essa seja uma máxima de todas as avós e mães, uma espécie de sabedoria milenar. Nos últimos anos, a ciência tem comprovado isso na prática por meio de vários testes. Uma pesquisa finlandesa publicada recentemente no Journal of Neuroscience, por exemplo, aferiu a liberação de opioides (substâncias que provocam sensação de relaxamento e prazer) pelo cérebro de voluntários que assistiram, durante 30 minutos, a várias cenas de comédia ao lado de dois amigos próximos. O mesmo teste foi aplicado nas mesmas pessoas após meia hora de silêncio, sozinhos em um quarto.

O resultado: rir em grupo aumentou significativamente os níveis de opioides dos voluntários, produzindo uma sensação de bem-estar, diversão e paz interior. Os pesquisadores também identificaram que, quanto mais intensas as risadas, mais fortes são esses efeitos no cérebro. O estudo demonstrou ainda que o cérebro associa a pessoa com quem rimos (ou que nos fez rir) ao resultado prazeroso – por isso lembramos sempre com prazer e saudade das pessoas que nos levam ao riso, à alegria.

Eu sempre fui uma pessoa de bom humor, a “palhaça” da turma, aquela que naturalmente fazia a turma rir. Isso sempre foi um prazer pra mim, uma verdadeira realização, e eu acabei levando essa característica para a minha vida profissional. Não à toa, os meus personagens mais marcantes têm uma forte ligação com o humor, caso de Ivonete, presente que o querido Walcyr Carrasco me deu na novela Caras & Bocas, #naomeabsorvafabiano, e a Suzi, personagem do meu monólogo “De perto ela não é normal”, há 15 anos em cartaz.

Ser uma porta-voz do riso é uma das minhas grandes alegrias enquanto pessoa e profissional. Ouvir o público me dizendo que saiu do meu espetáculo mais leves e com um olhar positivo sobre a vida é a minha maior realização. Vamos rir, mais, Brasil! Porque acredito que rir não apenas nos ajuda a enfrentar os problemas do dia a dia e deixa tudo mais leve, como também dá sentido à vida, afinal, não viemos a esse mundo a passeio, mas para arrasar, não é mesmo? #nascipraserfeliz. Ah, claro, rir é bom também porque faz bem à pele e à saúde, confirmam os cientistas. Mas disso, como disse no início, eu nunca duvidei  #vovojasabia.

O SEXISMO EM HOLLYWOOD

O SEXISMO EM HOLLYWOOD

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O SEXISMO EM HOLLYWOOD

“Para toda mulher que já deu à luz, para cada contribuinte e cidadã desta nação. Nós temos lutado pelos direitos iguais de todas as outras pessoas e é a nossa hora de ter igualdade salarial de uma vez por todas, direitos iguais para as mulheres nos Estados Unidos”. A declaração acima foi dada pela atriz Patrícia Arquette ao receber o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme Boyhood, em 2015, e elevou a discussão sobre a disparidade salarial e de oportunidades entre homens e mulheres em Hollywood.

O debate foi iniciado no fim de 2014, quando documentos vazados do estúdio Sony Pictures revelaram a discrepância salarial entre atores e atrizes. A partir disso, atrizes, produtoras, diretoras e roteiristas, a exemplo de Patrícia, passaram a se manifestar publicamente sobre o assunto. No início deste ano, por exemplo, Natalie Portman declarou em entrevista que ganhou três vezes menos que o colega de elenco Ashton Kutcher para protagonizar o filme Sexo sem Compromisso, em 2011.

O sexismo em Hollywood é algo que se manifesta nos mais diferentes níveis e de maneira nada velada. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, entidade responsável pela entrega do Oscar, por exemplo, é composta majoritariamente por homens, 77% para ser mais precisa, e, em 86 anos de história, premiou apenas UMA mulher como Melhor Diretora #naomeabsorvafabiano

Quer mais dados? Levantamento recente feito pela Escola Viterbi de Engenharia, da Universidade do Sul da Califórnia (USC), analisou cerca de mil roteiros de filmes populares produzidos nas últimas décadas, utilizando inteligência artificial e aprendizado por máquina. O resultado: dos 7.000 personagens analisados, quase 4,9 mil eram homens e apenas pouco mais de 2,1 mil eram mulheres. Além disso, os personagens masculinos falavam muito mais que os femininos – 37 mil diálogos envolviam homens e apenas 15 mil mulheres.

Outro estudo, realizado pela Escola Annemberg de Comunicação e Jornalismo, comprovou que, em 900 filmes lançados no período de quase dez anos (entre 2007 e 2016), a porcentagem de personagens femininas com falas nunca superou 32,8%. O site Polygraph.com fez algo similar e analisou, em 2016, mais de dois mil roteiros para identificar a quantidade de diálogos atribuídos a atores e atrizes nas produções. O resultado é chocante: 1195 filmes têm entre 60% e 90% dos diálogos pronunciados por homens – por mulheres, apenas 166.

Segundo relatório realizado pelo Center for the Study of Women in Television and Film, da Universidade Estadual de San Diego (EUA), em 2016, 34% dos 250 longas-metragens de maior bilheteria não contrataram produtoras; 58% não contavam com produtoras executivas; 77% não tinham roteiristas mulheres; 79% não tinham mulheres na equipe de montagem; 96% não deram espaço para nenhuma diretora de fotografia; e 92% dos filmes não tinham nenhuma diretora do sexo feminino #assustador

Em frente às câmeras, o cenário também é pouco animador: estudo feito pelo Centro de Estudo Sobre Mulheres na Televisão e no Cinema, da San Diego State University, revelou que o percentual de protagonistas mulheres nos filmes de maior bilheteria de 2014 foi de 12%. Mais: 58% das mulheres só são escaladas para interpretar papéis sociais, como mães, esposas, amantes e não profissionais, ao passo que 61% dos homens são identificados por suas profissões.

A idade também é um fator que impacta negativamente as mulheres no cinema. Um estudo realizado em 2014 concluiu que os salários das mulheres em Hollywood crescem apenas até os 34 anos e, a partir daí, começam a cair. No caso dos homens, o salário cresce até os 51 anos e mantém certa estabilidade até alguns anos depois.

Mas as coisas, felizmente, estão começando a mudar, ao menos na TV norte-americana, considerada por muitos críticos como o grande celeiro criativo dos EUA na atualidade. Neste mês, por exemplo, o canal FX reuniu produtoras e diretoras de séries de grande sucesso, como American Horror Story, Scandal e The Americans, para discutir o assunto.

No evento, realizado na Television Critics Association (TCA), as profissionais destacaram a importância da criação de cotas de gênero para aumentar a participação das mulheres nas produções. “As cotas são necessárias para que as mulheres possam obter um primeiro emprego como produtoras e também para mudar as mentalidades”, afirmou Meera Menon, que já dirigiu episódios de Snowfall e Blood Drive. “Não somos iniciantes. Apenas precisamos que nos deem uma oportunidade. Ryan Murphy me confiou um episódio de American Horror Story e mudou a minha vida”, disse a diretora Rachel Goldberg.

Ano passado, o mesmo canal FX criou a Half Initiative, iniciativa que teve o intuito de aumentar a participação de mulheres ou representantes de minorias nas produções da emissora. O projeto tem sido um sucesso e ampliou de 12% para 51% o número de mulheres diretoras no canal.

Outro espaço interessante que tem buscado ampliar a representação das mulheres na mídia é o Geena Davis Institute on Gender in Media, da premiada atriz Geena Davis. Recentemente, eu comecei a fazer um curso maravilhoso, promovido pelo instituto, sobre representação de gênero e raça no entretenimento brasileiro. Enquanto mulher e dramaturga, busco constantemente nos meus trabalhos autorais aumentar a participação de mulheres, dentro e fora de cena, porque sei a importância da representatividade. Como diz a própria Geena Davis, “if she can see, she can be it”, ou “se ela pode ver, ela pode ser”.

E quando falamos em representatividade na indústria do entretenimento dos EUA, é impossível não mencionar Shonda Rhymes, a roteirista e produtora norte-americana, recém-contratada pela Netflix. Mulher e negra (população com baixíssima representatividade no cinema e na TV), ela é criadora de algumas das séries de maior sucesso da TV nos EUA, duas delas, Scandal e How to Get Away With Murder, com protagonistas negras. Uma profissional que, como bem disse Viola Davis (uma de suas protagonistas e primeira atriz negra premiada com o Emmy de Melhor Atriz em série dramática), redefiniu o que é ser mulher e negra na televisão dos EUA e, por consequência, do mundo.

A disparidade de gênero ainda é uma realidade, não apenas em Hollywood, mas no mundo. Porém, quanto mais falarmos sobre a questão e, principalmente, quanto mais apoiarmos mulheres que, como Shonda e Deena Davis, fazem a diferença, mais próximos transformaremos ‘a Man’s World’, ou ‘o mundo dos homens’, em um mundo igualitário, sem distinção de gênero, bom pra todo mundo.

REPRESENTATIVIDADE QUE TRANSFORMA

REPRESENTATIVIDADE QUE TRANSFORMA

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REPRESENTATIVIDADE QUE TRANSFORMA

Representatividade é uma palavra de extrema importância pra mim. Isso porque eu acredito que ter alguém que te representa em algum segmento do seu interesse serve de modelo, te motiva a chegar lá também e gera a reflexão: se ele chegou lá, eu também posso!

Por isso, me interesso por projetos que trabalhem essas questões, sobretudo com as meninas que, desde muito cedo, são “doutrinadas” em nossa sociedade sobre o que são e o que não são “coisas de mulher” (estamos em 2017, hello?!). Quando se trata de meninas negras, então, o negócio fica ainda mais sério, porque envolve outras barreiras pesadas, como o racismo e a vulnerabilidade social.

Nesse sentido, o Plano de Menina é uma iniciativa que vem tentar ajudar essas meninas a superarem essas questões e realizarem os seus planos de vida. Criado em 2016 pela jornalista Viviane Duarte, o projeto tem por objetivo empoderar meninas de 13 a 18 anos de bairros como Capão Redondo, Grajaú, Pirituba e Brasilândia, na periferia de São Paulo.

Durante um ano, aos sábados, um grupo de mentoras e parceiras do projeto dão aulas gratuitas de autoestima, empreendedorismo, liderança, finanças e vida digital para as adolescentes. Entre as mentoras estão nomes como as maravilhosas Alexandra Loras, ex-consulesa da França em São Paulo, e Eliane Dias, empresária do grupo Racionais MC’s.

A criadora da iniciativa afirma que muitas das garotas participantes não trabalhavam e nem estudavam, tinham baixa autoestima e nenhuma ideia do que fazer no futuro. “Muitas crescem num ambiente tóxico, que faz com que elas pensem não ter direito a nada. São pais, tios ou vizinhos que falam: ‘não adianta sonhar, isso não é pra gente’. Só que toda menina tem direito a ter um plano. Ter uma meta é o primeiro passo para que elas se tornem protagonistas de suas histórias”, afirma Viviane, em entrevista à revista TPM.

“Na minha trajetória, já fui chamada de burra e de macaca por causa da minha cor. Mas também tive apoio de pessoas que acreditaram em mim e me ajudaram a desafiar a ideia de que uma negra da periferia não poderia entrar numa escola de elite como a Sciences Po, o Instituto de Estudos Políticos de Paris, onde boa parte dos presidentes da França estudaram. Eu consegui e virei a melhor aluna da turma. Hoje quero ajudar outras meninas da periferia a realizarem seus sonhos”, conta a ex-consulesa e embaixadora do projeto, Alexandra Loras, na mesma reportagem.

Criar pontes entre as meninas de periferias e mulheres de sucesso de áreas diversas é inspirador e importante para que elas tenham consciência de que podem, sim, ser o que quiserem, que ninguém pode limitá-las e que um mundo, que antes se mostrava inacessível, pode ser real. É emocionante pensar na potência que estamos criando para as próximas gerações. Mulheres fortes, empoderadas, destemidas e conscientes do seu potencial. Um brinde a projetos como esse. Um brinde à #representatividade!

ORIGEM DAS PALAVRAS PROTAGONISTA

ORIGEM DAS PALAVRAS: PROTAGONISTA

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ORIGEM DAS PALAVRAS: PROTAGONISTA

Muita gente não sabe, mas além de atriz e dramaturga, eu sou formada em Filosofia. Não sou de ficar citando filósofos nos meus discursos, mas tenho a filosofia como um lugar de intimidade, um conhecimento que, brinco, internalizei nas minhas células e levarei para o resto da minha vida. Sou completamente apaixonada por A Poética, de Aristóteles, (na minha opinião o primeiro manual de roteiro do mundo) e bebo muito dessa fonte para criar meus personagens e também para refletir sobre o meu ofício enquanto artista.

Como sabemos, a Grécia Antiga é o grande berço da civilização ocidental. Foram os gregos que definiram, por exemplo, os conceitos daquilo que hoje entendemos por democracia, filosofia, e também dramaturgia – o meu trabalho diário. Naturalmente, muitas das palavras que utilizamos nos dias de hoje também têm origem ligada à sociedade grega e refletir sobre a origem delas é algo que gosto de fazer no meu dia a dia e um hábito que eu gostaria de compartilhar com vocês.

Dentro do universo da dramaturgia, a figura do protagonista é uma das mais importantes. A palavra vem do grego PROTAGONISTES. PROTO, em grego, significa o principal, e AGONISTES, o batalhador, aquele que vai enfrentar desafios, superações, provações. No filme O Amor não Tira Férias, da diretora Nancy Meyers, a personagem da atriz Kate Winslet é confrontada com a seguinte reflexão: durante anos, por conta de um amor não correspondido, atuou como coadjuvante no roteiro da própria vida e permanecia estagnada. A partir dessa análise, feita com ajuda do personagem interpretado pelo maravilhoso ator Eli Wallach, ela decide assumir o protagonismo da própria vida e virar o jogo.

Em resumo, o protagonista é aquele que assume o papel principal de uma jornada, cheia de desafios e superações, e que, no processo, passa por um desenvolvimento, chegando ao final melhor do que quando começou a caminhada. E aqui vai uma reflexão importante: ser protagonista não é ser melhor que os outros – ou tirar vantagem sobre outra pessoa -, mas ser a melhor versão de si mesmo, constantemente. Alguém que acredita em si e nos seus sonhos e vai atrás dos seus objetivos com afinco, foco e fé. E você, tem sido o protagonista da sua própria história?

 

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POR QUE FALAR DE DINHEIRO AINDA É UM TABU FEMININO?

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POR QUE FALAR DE DINHEIRO AINDA É UM TABU FEMININO?

Nos anos 90, ouvi, pela primeira vez, o termo maria gasolina, usado para designar as meninas que só ficavam com garotos que tivessem bons carros. Era moda o modelo GOL GTS, GTI, GTX, que as twenty-something, millenials, não sabem o que é, mas que as quarentonas, perenials, vão lembrar! Depois, veio o termo maria chuteira, para caracterizar as moças que namoravam jogadores de futebol e, dia desses, escutei: aquela tipa é uma batedora de carteira, para adjetivar as moças que tenham namorados ricos.

Por que nossas preferências por esse ou aquele homem acabam sempre nos trazendo adjetivos que aliam nosso afeto ao poder financeiro do cara? Por acaso, só aos homens é reservado o status que o sucesso financeiro traz? A resposta para essa pergunta é: Simmmmm!!!! Quantas vezes já não ouvimos que “aquela velha rica só gosta de garotinhos” para identificar uma mulher que tenha sucesso financeiro e esteja namorando um homem mais jovem? E, assim adjetivá-la numa única frase de carente, ridícula e sem noção; sem jamais saber que a tal “coroa pegadora” é uma baita profissional, dona do próprio negócio e, consequentemente, dona dos próprios desejos. Uma mulher que conquista sua independência financeira tende a ser mais Dona de Si do que as mulheres que ainda dependem financeiramente do pai ou do marido.

Calma! A independência financeira é algo a ser construído. Uma menina de 18 anos não tem como ter seu próprio dinheiro porque está se preparando para isso, e é essa preparação um dos momentos mais importantes da vida feminina. É entre 15 e 20 anos que formamos nossas crenças definitivas. Aquelas crenças que vão guiar nossos passos e escolhas no futuro, portanto, nada mais importante que uma adolescente rebelde entender que sua energia pode servir (e muito!) para seu empoderamento.

Se ela focar toda essa energia em se “formar” não só na escola ou na faculdade, mas também na observação da vida feminina, terá mais chances de perceber as crenças limitadoras que a sociedade joga na mulher que tem a audácia de ser bem-sucedida. Observando as crenças limitadoras e as identificando como tal, fica mais fácil para uma jovem entender que sua luta por independência financeira dará a ela também independência emocional.

Sabe por que? Porque construir uma vida tem seu preço. Fazer escolhas, realizar sonhos custa caro. Nem sempre você vai conseguir ir a todas as festas, ou sair com todos os garotos que quiser, pelo simples fato de que ele pode não entender você preferir estudar para a prova a ficar com ele. Uma jovem mulher que opta por construir sua vida vai, necessariamente, optar por construir relações afetivas que a impulsionem.

Sim, essa moça vai perceber mais rápido quando estiver diante de um namorado que a diminua, ou que diminua seus sonhos e a sua capacidade de realizá-los. E, caso ela não identifique rápido essa cilada, a vida vai identificar por ela, e ela vai sair do fundo do poço dos abusos morais sofridos e se reerguer, porque a força interior, essa pérola única, ninguém tira de dentro de uma mulher #DonaDeSi.

Ao seguir sua trajetória e iniciar seu sucesso, essa mesma moça #DonaDeSi vai ouvir que “aquela ali só quer se dar bem” ou “aquela ali é carreirista”, “ ela só tá ganhando essa grana porque transou com alguém”, “porque teve um caso com o chefe” ou “ ganha dinheiro, mas tá sem homem” e por aí vai. Poucas serão as vezes em que ela ouvirá que seu trabalho é muito bom, que ela é decidida, comprometida com sua vida e digna de muito respeito. Uma amiga pode verbalizar isso, sua mãe, seu pai, mas o mundo (ah! esse mundão machista) vai trabalhar, incansavelmente, para que ela desista. Está se reconhecendo, minha amiga? Pois é, acontece com todas nós que ousamos quebrar padrões, que ousamos pensar com a própria cabeça, que ousamos ganhar bem, que ousamos adquirir bens, que ousamos ser responsáveis por nós mesmas.

Depois de escrever tudo isso, fico pensando: “Suzi, você não está sendo pessimista demais”? Não… não estou. Porque, culturamente, uma mulher que batalha para conquistar seus sonhos e CONSEGUE soa estranho, porque o “normal” seria essa mesma mulher batalhar, batalhar e desistir. Não, nós não vamos desistir. Essa crença, mais uma crença limitadora a nosso respeito, se apresenta em diversas facetas: quando uma de nós escuta que está trabalhando muito e negligenciando os filhos, ou a vida afetiva, ou o corpo (ah lá, só trabalha: tá gorda!); quando recebemos, em média, 30% menos que os homens na mesma posição que a nossa; quando não nos contratam porque o investimento da empresa em você pode não render o desejado quando você tiver filhos, afinal, isso pode desacelerar sua vida profissional. E se a licença-maternidade se igualasse a licença-paternidade, esse problema estaria resolvido: a mulher tem quatro meses de licença e o pai da criança também. Nada mais justo para a empresa, os profissionais e também para a criança!

Os limites nos são colocados a todo instante e o que nos tira dessa condição? Nossa alma empreendedora. E por que somos empreendedoras natas? Porque, querido mundo machista, tudo o que você entrega para uma mulher, ela não só multiplica em valores financeiros, mas, também, em valores com propósitos. Ou vocês já viram uma mulher fazer algo só por fazer? Pode ser qualquer atividade, mesmo que ela não goste tanto, ela aplica propósito, por exemplo: “Eu não gosto de lavar roupa, mas vou lavar roupa para fora porque, além de ganhar meu dinheiro, estarei também entregando a roupa cheirosa, deixando cada cliente satisfeito”. E esta mesma mulher vai fazer tão bem seu trabalho que pode aumentar seu negócio, construindo uma trajetória que começa por lavar roupa no tanque e chega a  uma lavanderia. E isso vai acontecer porque o serviço terá excelência, sendo esse o propósito.

Empreender deve ser nossa postura onde quer que nossa vida profissional esteja desenhada, porque a ação de empreender não tem só  relação com negócio próprio. Empreender é inovar, sair da acomodação, correr riscos, cometer erros, se desafiar, transformar ideias em realidades e, assim, atingir grandes resultados, entendendo que o seu grande negócio é VOCÊ!

E por que afirmo com veemência que empreender é algo próprio das mulheres? Porque, neste momento, somos NÓS que precisamos sair de nossa caverna, como um dia os homens já fizeram. E “sair da caverna” é, sim, perigoso, ainda mais para uma moça…mas, você, amiga, não é mulher de se retrair com riscos e perigos, afinal você é uma #DonaDeSi.

Sim, podemos construir nossa vida a partir de uma ação empreendedora, de propósitos, munidas de garra e também de ambição. Eita que essa palavra é mais um tabu feminino: ambição. Nas novelas, a ambiciosa é sempre a vilã e a mocinha, sempre a tanto faz como tanto fez. Apenas: NOT.  Ambição não é algo negativo para uma mulher, como fomos ensinadas a pensar. Ambição é desejar o que seja seu, amada. E partir para conquistar seu território, com ética. Ambição é querer, desejar e se movimentar, sempre embasada por sua ética, seus princípios e propósitos. Sua ambição não precisa derrubar uma colega de trabalho, ao contrário, sua ambição pode fazer você ser uma líder inspiradora. Pense nisso: por tantos anos fomos tratadas como moeda, sendo objetificadas e precificadas devido ao nosso corpo, cabelo, nossa pele, cor dos olhos… fosse em nossa vida privada, nossa exposição pública nos anúncios e também no ambiente profissional. Mas quem nos objetificou não foi nossas ambições. Nossa ambição vem talhada de amor, e isso faz e fará ainda mais diferença no mundo. Aceite sua ambição! Faça as pazes com ela! Te garanto que ambição-ética será sua melhor conselheira.

Além de empreender, fazer as pazes com sua ambição e conquistar seus bens materiais, conquiste também bens “sexuais”… que tal a possibilidade de ter um garotão com abdômen tanquinho, de sunga, te esperando com o jantar pronto e um bom drinque quando você chegar cansada de um dia de trabalho?! Hã? É uma opção toma-lá-dá-cá com o que os homens já fizeram com a gente? Sim, é. Mas é muito bom!!! [risos eternos]

Beijo em cada uma de vocês. Sororidade total!

LINK para a matéria no site da revista Marie Claire: http://revistamarieclaire.globo.com/Blogs/Dona-de-Si/noticia/2017/11/suzana-pires-por-que-falar-de-dinheiro-ainda-e-um-tabu-feminino.html

 

JE T’ADORE, JEANNE!

JE T’ADORE, JEANNE!

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JE T’ADORE, JEANNE!

Desde que iniciei esse meu caso de amor com o ofício de atriz, Jeanne Moreau sempre foi uma das minhas grandes inspirações. As mulheres fortes, passionais, libertárias e pouco convencionais que ela imprimiu na grande tela em filmes como Segredos de Alcova (1954), Os Amantes (1958), e Jules e Jim – Uma mulher para dois (1962) despertaram em mim o desejo de fazer o mesmo em cena e também o de criar personagens tão marcantes quanto no teatro, no cinema e na televisão nacional #inspiracao.

A beleza, fora do padrão em vigor na época (ditado pelas deusas Marilyn Monroe e Brigitte Bardot), e a voz grave e sensual foram outros fatores que contribuíram para que ela conseguisse arrebatar o meu coração – e o do mundo, claro. Conhecida como Bette Davis francesa (embora odiasse a comparação com a diva do cinema norte-americano), Jeane foi a grande musa da Nouvelle Vague, movimento artístico do cinema francês, e inspirou cineastas de renome, como Orson Welles (que a considerava a melhor atriz do mundo), Jean-Luc Godard, François Truffaut, Luis Buñuel (a quem chamava de “papai espanhol”), Werner Fassbinder e Tony Richardson.

Em 65 anos de carreira, trabalhou em mais de 130 filmes e também atuou como diretora (dirigiu dois longas-metragem e um documentário sobre a atriz do cinema mudo, Lilian Gish). Mas sua grande paixão sempre foi a arte de atuar, um ofício que, como ela gostava de definir, toca emoções muito delicadas. “Atuar é transmitir vida”, disse certa vez. Jeanne também afirmava que, ao atuar, o ator não se esconde, mas se expõe completamente, uma opinião que eu compartilho: no jogo de cena, além das características dos personagens, há muita coisa do ator que o interpreta e é justamente nessa mistura que está a beleza da nossa arte.

Jeanne nos deixou neste ano, aos 89 anos, mas seu talento e sua arte seguirão nos emocionando e inspirando eternamente. Je t’adore, Jeanne!

MULHERES SUPERPODEROSAS

MULHERES SUPERPODEROSAS

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MULHERES SUPERPODEROSAS

Empoderamento é uma das palavras mais utilizadas nos dias de hoje. Um termo que tem atrelado a si outras questões cruciais para qualquer ser humano, como a autoestima, por exemplo. Aprender a se amar é um dos passos mais importantes para qualquer pessoa trabalhar as suas potencialidades.

Quando se trata de autoestima, é inevitável falarmos sobre os padrões de beleza irreais impostos pela sociedade a nós mulheres. Ao fazermos o recorte para mulheres negras e gordas, os impactos causados por esses mesmo padrões são ainda maiores e nocivos, resultando, muitas vezes, em quadros de depressão e até tentativa de suicídio.

Por isso, sempre que fico sabendo de projetos que valorizam todos os tipos de beleza feminina eu faço questão de enaltecer. É o caso da iniciativa criada pela Luana Xavier, minha querida amiga, produtora executiva da minha peça De perto ela não é normal e neta da maravilhosa atriz Chica Xavier. Batizado de Melanin, a iniciativa celebra em poderosas imagens a beleza de mulheres negras de diversos formatos de corpo.

Identidade Negra é outro projeto fotográfico maravilhoso que trabalha com essa temática. Criada pela estudante de fotografia Jessyca Alves e pela expert da moda Rosana Theodora, a iniciativa buscou celebrar a beleza e a identidade da mulher negra brasileira. Encontradas por meio do Facebook, as mulheres retratadas, com idades entre 14 e 49 anos, também escreveram depoimentos sobre as dificuldades que já enfrentaram na vida por conta dos padrões de beleza impostos pela sociedade. “Passei minha vida toda sem saber quem eu era, sem ter conhecimento das minhas origens, da minha raça. Eu não sabia qual era minha verdadeira identidade”, afirmou a estudante em entrevista ao Buzzfeed Brasil.

Destaco também o projeto Superafro: O poder da mulher negra desenvolvido há três anos pelo jornalista Weudson Ribeiro e que registra, de maneira espontânea, a beleza das mulheres negras moradoras de Brasília. A iniciativa visa dar voz e, principalmente, visibilidade a esse tipo de beleza tão nosso, mas ainda bastante discriminado.

Ações como essas são importantes pela mensagem que transmitem: a de que nós mulheres podemos ser quem somos sem ter vergonha alguma de aceitar nossas características naturais ou precisar se enquadrar em padrões para nos sentirmos aceitas e felizes. Precisamos sempre ter em mente que são essas singularidades que nos fazem únicas e interessantes. Viva todas as belezas, viva todos os corpos. Salve a beleza da mulher brasileira!

CORRUPÇÃO NO BRASIL

A CORRUPÇÃO E A HISTÓRIA DO BRASIL

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A CORRUPÇÃO E A HISTÓRIA DO BRASIL

Nos últimos anos, a palavra corrupção passou a fazer parte das discussões cotidiana dos brasileiros. Na fila do pão ou do banco, no ponto de ônibus, na sala de espera do médico, na feira e até na conversa entre comadres o assunto está presente. A política nacional, claro, foi o fator que mais contribuiu para a criação desse cenário, mas vamos combinar que não é de hoje que esse mal assola o nosso país. A origem está no nosso #dnahistorico.

A carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, falando sobre o novo mundo, termina com um pedido de emprego a um parente #ajudaafamilia. Segundo o livro História do Brasil para Ocupados, data de 1549, período colonial, a chegada do primeiro funcionário público ficha-suja do nosso país. Pero Borges, nomeado ouvidor-geral (o equivalente ao cargo de Ministro da Justiça) foi condenado em Portugal por desvio de verba para construir um aqueduto e, como parte da sua sentença, teve de se mudar para o Brasil com direito a um cargo importante, um alto salário e uma pensão para sua esposa, em Lisboa #chateado.

De acordo com a historiadora Denise Moura, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), era uma prática da Coroa oferecer diversas vantagens como as citadas acima para convencer os fidalgos portugueses a virem para o Brasil. Um cenário fértil para a corrupção, não apenas na esfera pública, mas também no cotidiano comum.

E algo que começou na relação Colônia e Coroa, continuou na dinâmica Nação e Estado, a partir da independência, e se perpetua até os dias de hoje. “A corrupção é um mal coletivo. Um comportamento social do qual o governo também faz parte. Não existe governo corrupto em uma nação ética e não existe nação corrupta com governo transparente e democrático”, afirma o historiador Leandro Karnal, da Universidade de Campinas (Unicamp).

Claro que não fomos nós que inventamos a corrupção e não somos o único país corrupto do mundo. Um exemplo: com o objetivo de explorar a tendência do ser humano para ser desonesto, o documentário norte-americano Dishonesty aplicou um teste com 40 mil pessoas. No estudo, os voluntários tinham de resolver 20 questões matemáticas em cinco minutos. Cada acerto valia um dólar e os pesquisadores permitiram aos próprios participantes corrigirem a prova e depois jogarem o documento em um triturador. O que eles não foram informações é que o aparelho era falso e conservava todas as provas originais. O resultado? 20 pessoas mentiram, afirmando terem acertado todas as questões, custando 400 dólares ao estudo, e 28 mil aumentaram, ainda que pouco, o número de acertos, onerando em 50 mil dólares os pesquisadores #pequenosdelitos #grandesconsequencias.

O problema do Brasil é que criticamos a corrupção, mas fazemos vista grossa para os pequenos atos ilícitos que nos beneficiam no dia a dia. Uma pesquisa do Instituto Data Popular, de 2016, demonstrou bem isso: nela, apenas 3% dos brasileiros se consideraram corruptos, embora 80% afirmassem conhecer alguém que pratica atos de corrupção (como fecha essa conta, minha gente?!). Além de pressionar os governantes e defender uma ampla investigação dos escândalos de corrupção que estão assolando o nosso país, é importante também combatermos os pequenos delitos do cotidiano, como fazer carteirinha falsa para pagar meia entrada no teatro ou no cinema, furar fila no banco, não devolver o troco errado na compra do mercado, andar no acostamento, entre outras coisas.

Mais do que isso, precisamos educar nossas crianças sem fazer uso de artifícios que o historiador Leandro Karnal chama de “elementos de corrupção históricos” e que já fazem parte do senso comum e que a gente sequer compreende a gravidade. Coisas como o famoso “se você fizer isso, eu te presenteio com aquilo”, a ideia de que pra fazer uma coisa você automaticamente precisa ganhar outra em outra, o famoso “se dar bem” em tudo. Cabe a nós, em conjunto, mas também na nossa vida privada, contribuir para construir um novo país. Como bem escreveu a querida Elisa Lucinda no texto Só de sacanagem, “Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final.” =)