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Não é mimimi

NÃO É MIMIMI!

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NÃO É MIMIMI!

No dia 15 de janeiro, uma postagem no Facebook da paraibana Yasmin Formiga, de 20 anos, virou assunto na internet.  Na imagem, a estudante de Artes Visuais está com o rosto pintado, simulando uma agressão, e segura um cartaz com um trecho do funk Surubinha de Leve, do Mc Diguinho: “taca a bebida, depois taca a pica e abandona na rua”.

Em sua postagem, Yasmin chamou a atenção para o quanto a letra da música faz apologia ao estupro. “Sua música aumenta a misoginia. Sua música aumenta os dados de feminicídio. Sua música machuca um ser humano. Sua música gera um trauma. Sua música gera a próxima desculpa. Sua música tira mais uma. Sua música é baixa ao ponto de me tornar um objeto despejado na rua”, escreveu.

A publicação viralizou (foi compartilhada mais de 130 mil vezes), ganhou destaque nos principais jornais e portais do país e fez com que a canção, que estava em primeiro lugar entre as mais virais no Brasil, fosse excluída das paradas do Spotify. A repercussão também fez com que o principal vídeo com a música no Youtube, que contava com 14 milhões de visualizações, fosse retirado do ar.

Diante da acusação, Mc Diguinho disse em um post já apagado em sua conta no Twitter: “se a minha música faz apologia ao estupro, prazer sou o mais novo estuprador, apenas fiz a música da realidade que eu vivo e muitos brasileiros vivem. Viva a putaria!”.

Ele, infelizmente, está correto. A sua música Surubinha de Leve fala mesmo sobre uma realidade nacional. A do país que registra 135 estupros por dia, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Só em 2016, foram registrados 49.497 casos, 4,3% a mais que 2015. Um número que pode ser maior porque nem todas as vítimas procuram os hospitais ou a polícia.

O estado do Mato Grosso do Sul tem a maior taxa de estupros proporcionalmente à sua população. São 54,4 casos a cada 100 mil habitantes. Amapá e Mato Grosso aparecem em seguida, com 49,2 e 48,8 casos por 100 mil pessoas. Além disso, em cinco anos, mais do que dobrou o número de registros de estupros coletivos em todo o Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde de 2016. Esse tipo de crime representa hoje 15% dos casos de estupro atendidos pelos hospitais no país.

Após a onda de críticas, a assessoria de imprensa de Mc Diguinho divulgou comunicado em que ele “reconhece o conflito de informações devido toda repercussão, que mora com a sua mãe, irmãs e uma sobrinha e que jamais iria denegrir a honra e moral das mulheres…”. No comunicado, o Mc afirma também que, em “respeito a tudo isso”, lançaria uma versão light da música.

Mc Diguinho e outros artistas precisam entender algumas coisas. A primeira delas é que não é preciso ter mãe, irmã ou sobrinha para ter empatia e respeitar as mulheres (esse tipo de resposta não cola, amigo). Também precisam aprender a ouvir as mulheres (e não encarar nossas manifestações como frescura, falso moralismo ou mimimi) e entender a diferença entre diversão e incitação à violência (acredite em mim, é possível fazer música sem agredir ninguém).

Em um país que possui a quinta maior taxa de feminicídio no mundo, não podemos (e não iremos) tolerar músicas ou artistas que contribuam ou incentivem esse tipo de crime. Ao contrário do que muitos dizem, o mundo não ficou chato, mas está se transformando em um espaço em que as minorias (felizmente e finalmente) têm voz e vez. #NãoPassarão.

Foto: Reprodução/Facebook

Mulher Empreendedora 2

O CRESCIMENTO DO EMPREENDEDORISMO FEMININO NO BRASIL

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O CRESCIMENTO DO EMPREENDEDORISMO FEMININO NO BRASIL

Como já falei anteriormente aqui com vocês, o empreendedorismo feminino é um assunto que considero extremamente importante e um segmento que, felizmente, tem crescido bastante no nosso país. Somamos, atualmente, mais de oito milhões de empreendedoras no Brasil e somos responsáveis por 51% dos novos negócios abertos em nosso pais (já empreendemos mais que os homens, mulherada!).

Boa parte desse crescimento se deve a iniciativas como a da Rede Mulher Empreendedora (RME), criada em 2010, e que, atualmente, conta com mais de 300 mil empreendedoras cadastradas. Suas idealizadoras, Ana Lucia Fontes e Alice Salvo Sosnowski, tiveram a ideia de montar o projeto depois de participarem do programa 10 mil mulheres da FGV, do banco de investimentos Goldman Sachs, que, desde 2008, oferece formação em administração e gestão de negócios para mulheres empreendedoras ou que desejam empreender.

A Rede Mulher Empreendedora oferece workshops, palestras e encontros nos quais são oferecidas informações essenciais para as mulheres que têm o sonho de empreender. As empreendedoras cadastradas também têm acesso a conteúdos e dicas sobre o universo do empreendedorismo. Você, leitora, é uma mulher empreendedora? Tem vontade de empreender? Conta aqui pra mim e vamos, juntas, falar um pouco mais sobre empreendedorismo feminino.

Mulher Empreendedora

QUAL O PERFIL DA BRASILEIRA EMPREENDEDORA?

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QUAL O PERFIL DA BRASILEIRA EMPREENDEDORA?

A gente já falou aqui sobre o crescimento do empreendedorismo no Brasil, sobretudo o empreendedorismo feminino, mas, fica uma dúvida no ar, quem é essa empreendedora brasileira sobre a qual tanto falamos?

A Rede Mulher Empreendedora (RME) buscou responder essa questão e organizou, em 2016, o estudo Quem São Elas. O levantamento mostrou que a empreendedora brasileira tem, em média, 39 anos, quase 80% têm ensino superior completo ou mais, e mais da metade (55%) têm filhos – das que já são mães, 75% decidiram empreender depois da maternidade.

Mas para entendermos de fato o empreendedorismo feminino brasileiro, precisamos analisar outros importantes aspectos. Por exemplo, somente 20% das mulheres empreendedoras são negras e pardas. Não podemos falar sobre esse tema sem mencionar as empreendedoras de classe C. Uma pesquisa feita pela RME revelou que, nas classes C e D, as mulheres empreendedoras têm negócios voltados, principalmente, ao comercio, e se utilizam dos dotes adquiridos ao longo da vida.

Por conta disso, a maior parte delas costuma trabalhar com alimentos ou com confecção de roupas, por exemplo. Por empreenderem sem nenhum conhecimento teórico a respeito de administração, planejamento e organização, por exemplo, (seja por dinheiro ou por jornada dupla), elas estão mais sujeitas a verem seus negócios falirem do que as suas colegas de outras classes sociais.

Erros como misturar finanças pessoais com as da empresa, dificuldades no momento de solicitar crédito para capital inicial, acreditar que o negócio se sustentará na originalidade de um produto, não gostar do ramo de mercado escolhido, contratar pessoas por afinidade e não competência, são os principais erros cometidos por elas no processo. Por isso, é extremamente importante, ao decidir embarcar no empreendedorismo, que nós mulheres estejamos munidas de informação ou cercadas por pessoas com as quais podemos obtê-las. Empreender é um universo muito interessante, mas bastante complexo e repleto de desafios diários para os quais temos de estar preparadas.

Feminismo pra quem

FEMINISMO PARA QUEM?

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FEMINISMO PARA QUEM?

Esta é a pergunta que devemos fazer a cada discussão levantada sobre o tema. Se você é homem e se considera feminista, volte duas casas. Sem sentir na pele as mazelas do machismo, é impossível entender a extensão do problema e, consequentemente, saber o tamanho da bandeira a ser levantada contra ele. É importante saber o peso e o privilégio que atitudes, falas e até mesmo a presença de homens têm, pelo simples fato de serem homens.

Por isso, nessa discussão surgem diversos termos que precisam ser esclarecidos antes de utilizados, como a diferença entre feminismo e machismo, que, ao contrário do que muitos dizem, não são opostos. O machismo é um comportamento socialmente reproduzido que estabelece padrões de comportamento para cada gênero, com o viés de que existe um gênero dominante (homens) em relação a outro submisso (mulheres). Já o feminismo, ao contrário do que muitos acreditam, consiste na luta pela equidade entre os gêneros e não na inversão deles.

Outro esclarecimento que precisa ser feito é o da diferença entre igualdade e equidade que muitos acham serem sinônimos, mas não são. A igualdade coloca todos os indivíduos na mesma caixa e, portanto com os mesmos direitos e necessidades. Porém, quando se observa a realidade prática percebemos que não é bem assim e que muitas pessoas, especialmente os integrantes de grupos sociais minoritários, têm seus direitos restringidos e suas necessidades ignoradas todos os dias. E o único caminho possível para resolver essas questões é através de políticas afirmativas.

Mas não são só as mulheres que sofrem com esse status quo. Meninos (ainda crianças) e homens que não encaixam perfeitamente na descrição de homem imposta a eles pela sociedade têm de lidar com a pressão de não serem aquilo que todos os outros esperam que eles sejam. Com o machismo, todos perdem.

Neste contexto, cabe ao homem não apenas tomar a decisão de lutar para deixar de ser mais um machista no mundo, mas também de chamar a atenção de outros homens para a questão. Todas as vezes que um homem vê um colega fazendo um comentário ofensivo, tendo uma atitude inapropriada ou sendo abusivo com uma mulher e não faz nada, ele está sendo cúmplice da atitude do agressor. A construção de uma sociedade mais igualitária depende de todos nós.

Geena Davis

GEENA DAVIS, MUSA NAS TELAS E NA VIDA

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GEENA DAVIS, MUSA NAS TELAS E NA VIDA

Ela é linda, premiada, criou um instituto para debater a importância de boas representações femininas no cinema e na televisão e, não bastasse tudo isso, é uma das protagonistas de um dos meus filmes favoritos: Thelma & Louise. Geena Davis se não existisse teria de ser inventada.

Nascida nos EUA, em 1956, filha de uma assistente de professora e de um engenheiro civil, Geena era uma garota comum muito interessada em artes e principalmente em música. Tanto que, ainda criança, ela aprendeu a tocar flauta, piano e órgão.  O interesse pelo universo artístico continuou na vida adulta e ela decidiu estudar teatro na Universidade de Boston.

Com 35 anos de carreira, ela obteve bastante sucesso no cinema, especialmente nas décadas de 1980 e 1990. Em 1989, foi premiada com o Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo filme O Turista Acidental, mas o seu maior êxito no segmento foi o filme Thelma & Louise, um ícone de libertação feminina. Ela também fez história ao protagonizar a série Commander in Chief, que conta a historia fictícia da primeira presidenta dos EUA. Pelo papel ela foi premiada com O Globo de Ouro em 2006

Com o objetivo de discutir a necessidade de boas representações femininas na televisão e no cinema e de mostrar para meninas que elas podem ser o que quiserem, ela criou em 2004 o Instituto Geena Davis. Em 2009, por conta desse projeto, Geena recebeu um titulo honorário de Doutora em Belas Artes pela Bates College.

Em 2015, ela deu mais um passo no caminho da equidade de gênero e colaborou para o lançamento de um festival anual de cinema que terá sua quarta edição em 2018. O The Bentonville Film Festival é realizado na cidade de mesmo nome, no estado do Arkansas, e tem como proposta dar mais visibilidade às minorias sociais, premiando obras que possuam em seu elenco e equipe mulheres e outros grupos socialmente vulneráveis. Geena Davis, que mulher!

 

PRECISAMOS FALAR DE FEMINICÍDIO

PRECISAMOS FALAR DE FEMINICÍDIO

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PRECISAMOS FALAR DE FEMINICÍDIO

Em outubro deste ano, Laís Andrade descobriu que o ex-marido, Valdeir Ribeiro de Jesus havia instalado, sem a autorização dela, uma câmera de vídeo no banheiro da casa em que ela morava com o filho dos dois, de oito anos de idade. As imagens eram transmitidas em tempo real por um computador instalado por ele no telhado do imóvel. Laís decidiu denunciar o ex e, a caminho da delegacia, foi morta por ele dentro do carro da polícia em que os dois haviam sido colocados, juntos.

Em depoimento à polícia, o homem admitiu que agiu por ciúme. Laís tinha 30 anos e foi mais uma vítima de feminicídio em nosso país. O caso aconteceu em Minas Gerais, o Estado em que, em 2016, quase 87% dos homicídios contra mulheres (397 mortes) foram enquadrados em feminicídio, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública.

Recentemente tipificado, o feminicídio configura o crime de atentado à vida de uma mulher simplesmente pelo fato de ser mulher, ou seja, pela situação de vulnerabilidade social em que muitas de nós nos encontramos em diversas situações do cotidiano, dentro e fora de casa.

A lei, sancionada em 2015, entende que esse tipo de crime específico agrega “violência doméstica e familiar” e “menosprezo ou discriminação à condição de mulher” ou qualquer atentado contra uma mulher a partir do ódio ao feminino e o que ele representa e pode representar.

Qualquer violência de gênero (como agressões físicas e psicológicas, estupro, mutilação genital, entre outras) que configura em morte pode ser enquadrada na lei – o feminicídio considera o assassinato a etapa final de uma série de abusos.

A diferenciação em relação ao homicídio é importante, pois além de aumentar a pena ao agressor (passando de seis a 20 anos para 12 a 30), ele conscientiza a população a respeito da violência contra a mulher. Além disso, é importante ressaltar o fato de que grande parte desses crimes acontecem dentro de casa. Ou seja, nós mulheres não estamos seguras em nossos próprios lares, um problema que os homens não têm.

Entre março de 2016 e o mesmo mês desse ano, ocorreram 2925 feminicídios, um aumento de 8,8% em relação ao ano anterior (dados dos Ministérios Públicos estaduais). São quase OITO casos por dia! #NaoMeAbsorva No ano passado, foram registrados 49.497 casos de estupros no país, uma média de 135 por dia, um aumento de 4,3% em relação a 2015.

Com essas taxas e números, somos o quinto país que mais mata mulheres no mundo (Mapa da Violência 2015). Entre os anos de 1980 e 2013, mais de 100 mil brasileiras foram mortas apenas por serem mulheres!

Ainda que os números sejam alarmantes, estima-se que eles não correspondam à realidade. Isso porque a tipificação do crime ainda é feita de forma incorreta e as mortes por feminicídio geralmente são classificados como homicídios simples. A melhor maneira de resolver essa questão é exigir a investigação policial de todos os casos de mortes violentas envolvendo mulheres. #MexeuComUmaMexeuComTodas

Foto: Fábio Braga

Hysteria

PARA VER E OUVIR AS MULHERES

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PARA VER E OUVIR AS MULHERES

Como vocês bem sabem, eu sou completamente fascinada pela origem das palavras. Histeria, por exemplo, vem do grego Hystera ou Hysteros e significa útero. Ao longo da história da humanidade, o termo foi utilizado de maneira pejorativa contra nós mulheres, sempre associado a transtornos nervosos e bruxaria e também como argumento para nos fazer ficar quietas. Quem nunca ouviu um “como você é histérica!” em uma discussão, não é mesmo? #NaoMeAbsorva

Com o objetivo de ressignificar o termo e dar voz criativa às mulheres, a Conspiração Filmes, uma das maiores produtoras independentes do Brasil, criou a Hysteria, divisão de produção de conteúdo (webséries, curtas metragens, reportagens, podcasts e playlists) totalmente criada por mulheres. Segundo Renata Brandão, CEO da Conspiração, em entrevista para a Folha de S.Paulo, dos 400 diretores em atuação no mercado atualmente, menos de 20% são mulheres. A ideia é justamente mudar esse cenário. Nesse sentido, o projeto conta com dez profissionais fixas e mais de 500 parceiras, entre roteiristas, diretoras, youtubers, designers e jornalistas, que proporcionam a criação de produtos sem estereótipo e limitações e com diversas perspectivas e recortes: a visão feminina sobre temas diversos, não necessariamente femininos.

Entre os programas originais da iniciativa, estão a websérie Tudo, com a atriz e escritora Maria Ribeiro, Alerta de Tubarão, com a fundadora do YouPix Bia Granja, além de coproduções, como a segunda temporada da série O Nosso Amor a Gente Inventa, da apresentadora Sarah Oliveira (um mais interessante que o outro). O universo pornô, sob a ótica feminina, também será explorado pela plataforma por meio de três curtas-metragem (um deles, batizado de Amores Líquidos, terá o Carnaval como pano de fundo).

A plataforma também tem desenvolvido projetos em parceria com empresas e instituições, como o Masp e a Google, por exemplo. Para o primeiro, a Hysteria documentará o processo criativo de estilistas e artistas famosos na criação das peças; já para o segundo, fará uma série sobre mulheres empreendedoras #ChegarLa. O projeto ainda contará com o Festival Hysteria, programado para o primeiro semestre de 2018, que contará com 12 shows de mulheres espalhados por São Paulo (numa espécie de Virada Cultural). São as mulheres conquistando todos os espaços #WeCanDoIt

Geena Davis

OBRIGADA, GEENA DAVIS

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OBRIGADA, GEENA DAVIS

Eu sempre fui fã da atriz Geena Davis (sua transgressora Thelma, do clássico Thelma e Louise, me marcou profundamente). Mas é o seu engajamento, há mais de 20 anos, para tornar Hollywood menos sexista que a fez ganhar a minha profunda admiração. Com a percepção de que havia uma enorme disparidade de gênero presente na mídia estadunidense,  Geena resolveu fundar, em 2004, o Instituto que leva o seu nome e que objetiva incentivar a maior participação das mulheres na indústria do entretenimento nos EUA.

Desde então, o Instituto Geena Davis desenvolve estudos que comprovam que nós mulheres temos menos oportunidades, menores salários e que ainda temos que lidar com as várias facetas do machismo e da misoginia cotidianamente. Com base nestes dados, a organização busca desenvolver propostas para engajar, educar e influenciar produtores de conteúdo dentro de Hollywood a eliminar os clichês e problemas da representatividade feminina de seus scripts de filmes e séries.

Segundo Geena, com a baixa valorização das mulheres nas produções (para adultos e especialmente para as crianças), nós não despertamos o potencial de nossas meninas, não as incentivamos a questionar os papéis e estereótipos de gênero e transmitimos a mensagem de que elas não têm espaço e que não são importantes. Ao mesmo tempo, encorajamos os meninos e homens a acharem que realmente são os únicos protagonistas possíveis de todas as histórias.

Em parceria com a USC Viterbi e a Google, o Instituto lançou em 2016 o Quociente de Inclusão Geena Davis ou GD-IQ, uma ferramenta de análise de conteúdo midiático em tempo real usada para gerar dados a respeito do que está passando na tela com precisão. Ele identifica a desigualdade de representatividade entre grupos e identifica estereótipos.

Uma pesquisa realizada em 2015 pela organização em 11 países, entre eles o Brasil, trouxe números bastante preocupantes. Um exemplo: 51% dos brasileiros acreditam que o entretenimento reforça que é aceitável assediar mulheres #nãomeabsorva.

Por outro lado, 63% pensam que ver situações de violência doméstica e contra a mulher ajudam a combater esses crimes e uma em cada quatro brasileiras afirmaram terem sido encorajadas a abandonar relacionamentos abusivos por meio de historias de mulheres fortes na ficção. No Brasil, a pesquisa entrevistou duas mil  pessoas nas principais regiões metropolitanas

Estes dados só mostram a importância da luta do instituto Geena Davis e confirmam aquilo que todas já sabemos, e que eu já disse aqui em outras ocasiões: tivemos avanços, mas a luta continua. Como diz o lema da organização: “se ela puder ver, ela poderá ser”. Por mais mulheres em todos os segmentos do audiovisual!

Empreender é preciso

EMPREENDER É PRECISO

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EMPREENDER É PRECISO

No último domingo (19), foi celebrado o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, um tema que, como vocês sabem, eu considero extremamente importante. De acordo com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), o empreendedorismo feminino no Brasil cresceu 34% nos últimos 14 anos. Somamos, atualmente, mais de 8 milhões de empreendedoras no Brasil e somos responsáveis por 51% dos novos negócios abertos em nosso pais (já empreendemos mais que os homens, mulherada!).

Abrir um negócio próprio no Brasil de modo geral não é fácil, mas empreender quando se é mulher é ainda mais difícil. “O preconceito ainda é um tema dominante na vida das mulheres porque a sociedade não acredita que homens e mulheres são iguais, mas nós somos”, afirma Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.

É inacreditável, mas as mulheres empreendedoras ainda precisam superar problemas como investimento desigual, desestímulos e sexismo para prosperarem em seus próprios negócios. Segundo dados do SEBRAE, apenas 10% das empresas mundiais lideradas por mulheres recebem investimento externo. Estima-se que essa desigualdade de investimento prejudique a geração de seis milhões de empregos em apenas cinco anos.

Outro grande obstáculo para o empreendedorismo feminino é o desestímulo que elas herdam do mundo empresarial, que não reconhece ou estimula o desenvolvimento de suas habilidades enquanto empreendedoras, herança direta do machismo. Ainda de acordo com o SEBRAE, 43% das mulheres deixam de abrir seus próprios negócios por medo do fracasso.

O empreendedorismo pode surgir por motivos distintos, como o desejo de se manter ativa no mercado após a maternidade, que ainda é um tabu em boa parte das grandes empresas; uma alternativa à crise econômica e a possibilidade de ter mais flexibilidade de horário para realizar outras atividades.

É lindo constatar que, apesar das adversidades, as mulheres estão tomando o controle de suas vidas e se lançando a novos desafios, não apenas aqui no Brasil, como no mundo inteiro. O projeto The Girls On The Road (http://www.thegirlsontheroad.com/), das empreendedoras brasileiras Taciana Mello e Fernanda Moura, por exemplo, entrevistou empreendedoras de 20 países para trazer histórias que possam inspirar e mostrar para outras mulheres que elas também podem fazer o mesmo #yeswecan. O caminho ainda é bem longo, mas acredito que, cada vez mais, estamos avançando nesse sentido. O mundo é nosso, meninas. E isso é só começo!

O LUGAR DA MULHER

O LUGAR DA MULHER

By | #ChegarLa | No Comments

O LUGAR DA MULHER

De todas as cenas do filme Titanic, um dos maiores vencedores de Óscar da história, há uma em particular que me marcou profundamente: a que a protagonista Rose (interpretada pela bela Kate Winslet) observa uma menina sendo ensinada pela mãe a se portar como uma “dama” à mesa do chá. Essa observação é reveladora, o que na dramaturgia chamamos de epifania, e marca uma decisiva mudança de comportamento da personagem.

Delicadeza, beleza e fragilidade foram, durante anos, alguns dos adjetivos mais utilizados para definir a nós mulheres. Palavras que, por traz de um verniz de sutileza, limitam o conceito do que é ser mulher, interferem diretamente do desenvolvimento da nossa autoestima e geram inúmeras inseguranças.

Por entender que a insegurança é algo imposto pela sociedade há anos à medida que as crianças crescem, sobretudo as meninas, a fotógrafa norte-americana Kate Parker decidiu registrar os momentos em que suas duas filhas exercitavam a própria espontaneidade, rompendo totalmente com aquilo que se espera de uma menina em nossa sociedade. “Minhas meninas sabem que elas são perfeitas do jeito que são: aventureiras, felizes, atléticas e engraçadas. Elas não precisam ter o cabelo arrumado, roupas combinando ou estarem limpas o tempo todo. Serem fortes é o suficiente”, afirma. As lindas imagens se transformaram no maravilhoso livro Strong is the New Pretty (Força é a Nova Beleza) #recomendo.

Acho a proposta da Kate super interessante justamente por questionar um padrão imposto há anos. Ao registrar e apresentar o comportamento “transgressor” de suas filhas, ela nos transmite uma mensagem importante de que quem tem de decidir o que somos e como devemos agir na sociedade somos nós mesmas e mais ninguém. Porque essa decisão impacta diretamente na nossa autoestima, na nossa autonomia, na nossa essência, na nossa felicidade e é determinante para os rumos que damos às nossas vidas, no âmbito pessoal e profissional. Palavras têm poder e devemos saber como usá-las a nosso favor. Elas até podem ajudar a nos descrever enquanto seres, mas jamais nos limitar. Lugar de mulher é onde ela quiser! #girlpower.