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Mulheres unidas, ativar!

MULHERES UNIDAS, ATIVAR!

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MULHERES UNIDAS, ATIVAR!

Eu acredito profundamente no poder transformador da sororidade. Quanto mais nós mulheres nos ajudamos mutuamente, mais próximas ficamos da sociedade igualitária que tanto almejamos. A organização sem fins lucrativos Women in Cinema Collective (WCC) é um exemplo da força da união feminina.

Ela foi criada no ano passado a partir de um caso de estupro sofrido por uma atriz do cinema malaialo, uma das quatro indústrias cinematográficas do sul da Índia, que chocou a opinião pública. Quando um ator popular emergiu como o principal acusado, o choque se transformou em indignação coletiva. Um grupo de mulheres que atuam no cinema decidiu se reunir, por meio de um grupo no WhatsApp, para pensar maneiras de ajudar a colega.

As reuniões do grupo, inicialmente on-line, passaram a ser presenciais. Cada história de violência compartilhada pelas integrantes nos encontros provou que a violência sofrida pela colega atriz, motivo inicial da reunião de todas, não era um caso isolado, mas uma realidade bastante comum. “Isso mostrou que a gente precisava fazer mais do que apenas sensibilizar a mídia e a sociedade. Era necessário redigir cartas, definir o que a organização representaria, fazer panfletos, decidir os programas, projetar oficinas”, declarou a atriz Padmapriya Janakiraman, uma das fundadoras do coletivo. Ela mesma sofreu uma agressão de um diretor em um set de filmagem apenas por não ter a “expressão correta”. #NaoMeAbsorva

A organização se reuniu com o Ministro Chefe de Kerala, Pinarayi Vijayan, estado em que se fala o idioma malaialo, para solicitar uma investigação do caso de estupro e colocar em debate questões como a disparidade salarial e o tratamento às mulheres dentro da indústria do cinema indiano. A ideia é criar diretrizes que garantam a segurança e o bem estar das mulheres nos sets de filmagem e a punição dos agressores.

O coletivo também exigiu ao Ministro que o governo passe a oferecer cursos para capacitar as mulheres nas habilidades técnicas do cinema, reservar vagas para o público feminino em cargos técnicos em estúdios governamentais, oferecer prêmios a filmes que abordem questões sobre igualdade de gênero e subsídios para produções que possuem pelo menos 30% de mulheres nas equipes.

A criação da organização, claro, incitou ataques de homens poderosos do cinema indiano, como o ator e produtor Mammootty, no intuito de desqualificar a proposta da ong. Em resposta, o coletivo publicou em sua página oficial no Facebook um comunicado. “Não estamos lutando contra homens ou indivíduos em particular. Nossa luta é contra as estruturas que sustentam a supremacia masculina, contra uma cultura que não está disposta a tratar as mulheres como iguais”. Precisa dizer mais? Acho que não.  A repercussão da WCC tem sido tão boa que um grupo de apoio semelhante está para ser criado em Chennai, capital do estado de Tamil Nadu, também no sul da Índia. A prova viva de que juntas somos mais fortes e podemos fazer muito mais por nós mesmas. Mulheres unidas, ativar!

 

Susan, musa da versatilidade

SUSAN, A DAMA DA VERSATILIDADE

By | #CasaDeAraruama | No Comments

SUSAN, A DAMA DA VERSATILIDADE

Versatilidade é uma característica imprescindível para qualquer atriz e uma habilidade que eu sempre busquei exercitar ao longo da minha trajetória profissional. Para isso, além de optar por trabalhos que me incentivassem a interpretar os mais diversos personagens, eu também busquei inspiração em atrizes que se destacaram justamente pelo ecletismo.

Susan Sarandon foi (e ainda é) uma delas. Embora seja lembrada especialmente por suas (ótimas) atuações em filmes de drama – como O Óleo de Lorenzo, Lado a Lado (com a maravilhosa Julia Roberts) e, claro, Thelma & Louise, com a musa Geena Davis, – a atriz estadunidense também tem no currículo produções de comédia, como As Bruxas de Eastwick (junto com Cher e Michelle Pfeiffer), e musicais, como o clássico The Rocky Horror Picture Show.

Formada em Artes pela Universidade Católica da América, em Washington, Susan iniciou sua carreira no cinema em 1970 no drama Joe, das drogas à morte. Indicada cinco vezes ao Óscar, foi premiada como Melhor Atriz em 1995 por sua atuação no ótimo Os Últimos Passos de um Homem. Paralelamente ao seu trabalho na sétima arte, Susan também atuou em projetos na TV (novelas, telefilmes e séries) pelos quais foi indicada ao Emmy, o Óscar da televisão estadunidense – Feud, seu mais recente trabalho na TV, no qual vive a lendária Bette Davis, é imperdível!

Fora das telas, Susan também se destaca pela personalidade. Em 2016, ela foi criticada pelo jornalista britânico Piers Morgan ao aparecer de decote em uma premiação de Hollywood. Morgan classificou a escolha de Susan como “cafona” pelo fato do evento em questão também prestar uma homenagem a atores falecidos. “Ela utilizaria essa roupa em um funeral?”, questionou o jornalista.

Em resposta, Susan publicou no Twitter uma imagem sua apenas de sutiã, extraída do filme The Rock Horror Picture Show, com uma legenda sutil e irônica: “Uma foto dedicada a Piers Morgan”. GÊNIA! A postagem viralizou e gerou uma onda de tweets de mulheres que, em apoio a Susan, postavam fotos de seus decotes. Quem disse que uma mulher com mais de 60 anos não pode usar decote? #NaoMeAbsorva

A atriz também é conhecida pelo seu posicionamento político em prol de causas progressistas. Em entrevista ao apresentador Jimmy Fallon, no The Tonight Show, em 2017, ela afirmou não temer ser prejudicada profissionalmente por conta das bandeiras que defende. “Eu vou ser mulher por muito mais tempo do que serei atriz. Vou ser mãe por muito mais tempo do que serei atriz. Tudo o que eu busco é ter uma vida autêntica”, disse.

Neste ano, Susan “rifou” o seu convite de acompanhante para o SAG Awards (incluindo passagem para Los Angeles e hospedagem por duas noites) com o objetivo de arrecadar fundos para a Hope North, instituição que oferece apoio a órfãos e vítimas da guerra civil em Uganda. “Cheguei a um ponto da minha carreira que já não dou ouvidos ao que os outros pensam de mim. Tenho sobrevivido à indústria procurando fazer escolhas que respeitem minhas idéias. Continuo acreditando que podemos fazer diferença nesse mundo. Faço o que está ao meu alcance e não me importo com o que dizem os cínicos ou os puxa-sacos.” Susan, que mulher!

Foto: Thomas Whiteside

 

CONHEÇA ZICA, A EMPREENDEDORA QUE TRANSFORMOU UMA INSATISFAÇÃO PESSOAL EM UM NEGÓCIO MILIONÁRIO

CONHEÇA ZICA, A EMPREENDEDORA QUE TRANSFORMOU UMA INSATISFAÇÃO PESSOAL EM UM NEGÓCIO MILIONÁRIO

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CONHEÇA ZICA, A EMPREENDEDORA QUE TRANSFORMOU UMA INSATISFAÇÃO PESSOAL EM UM NEGÓCIO MILIONÁRIO

 

Eu já falei aqui com vocês sobre o crescimento do empreendedorismo feminino no Brasil e também sobre o perfil da brasileira empreendedora. Hoje, eu gostaria de trazer um exemplo de empreendedora de sucesso para te inspirar a apostar no seu potencial e tornar realidade o seu sonho de negócio. Foi a partir de uma insatisfação pessoal que a minha conterrânea Heloísa Helena Assis, mais conhecida como Zica, identificou um novo negócio que começou como um salão de bairro e se transformou no Instituto Beleza Natural, maior rede de salões especializada em cabelos crespos e ondulados do Brasil.

Mulher negra e periférica, ela não se conformava com os produtos disponíveis no mercado para o tratamento de cabelos crespos e cacheados como os dela. “Na época, não tinha nenhum produto especializado no cuidado de cabelos crespos e cacheados, você podia cortar, deixar black power ou alisar. Mas eu queria meu cabelo com balanço, com volume controlado. Queria preservar sua originalidade”, contou em entrevista à revista Claudia. Percebendo que, assim como ela, havia uma clientela de homens e mulheres que se sentia excluída pelo mercado da beleza, ela não teve dúvidas e começou a misturar e testar em si mesma (e também no irmão, Rogério) algumas substâncias com o objetivo de encontrar o produto ideal. Isso tudo com apenas 21 anos!

Os testes eram feitos nas pausas e nos dias de folga de seu trabalho como empregada doméstica, função que ela desempenhava desde os nove anos de idade. Sem nenhuma experiência em química, Zica fazia as aplicações na base da tentativa e do erro e, no processo, chegou a perder parte do próprio cabelo. A saga em busca da fórmula ideal consumiu dez anos. Após a descoberta, ela buscou a ajuda de uma química para melhorar o produto e com o auxílio de uma antiga patroa conseguiu patentear a fórmula, que batizou de Super Relaxante.

A próxima etapa foi abrir o próprio salão de beleza. O investimento veio da venda do fusca que era utilizado pelo marido, motorista de taxi, e que representava a principal fonte de renda da família (composta por eles e por mais três filhos pequenos). “O carro era tudo o que tínhamos. Foi uma decisão muito arriscada vendê-lo, porque o negócio podia não vingar. Mas nós acreditávamos muito na fórmula, vimos como meu cabelo havia mudado por causa dela e sabíamos que muita gente queria essa mudança também”, relembrou em entrevista à revista Época Negócios.

O veículo foi vendido por R$ 3 mil e o irmão Rogério e uma amiga, Leila Velez, deram mais R$ 1.500. O salão começou a funcionar na região da Muda, bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e, em menos de um ano, se transformou em um sucesso (a fila para ser atendida no espaço começava a se formar às cinco da manhã e o salão só abria às oito!). Com o aumento da demanda, Zica precisou expandir o negócio e começou a formar equipes extras e investir na abertura de filiais.

A empresa que começou com um investimento de menos de cinco mil reais, hoje é um negócio que tem fábrica própria, 45 operações (entre salões e quiosques) em cinco estados, 50 produtos no catálogo, três mil funcionários, 130 mil clientes por mês e que fatura R$ 150 milhões por ano! E Zica, a ex-empregada doméstica que decidiu apostar no próprio sonho, se transformou numa empreendedora de sucesso e entrou para lista das dez mulheres mais poderosas e influentes do Brasil da revista Forbes. Uma mulher de visão, coragem e talento. Um exemplo de empreendedora!

Não é mimimi

NÃO É MIMIMI!

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NÃO É MIMIMI!

No dia 15 de janeiro, uma postagem no Facebook da paraibana Yasmin Formiga, de 20 anos, virou assunto na internet.  Na imagem, a estudante de Artes Visuais está com o rosto pintado, simulando uma agressão, e segura um cartaz com um trecho do funk Surubinha de Leve, do Mc Diguinho: “taca a bebida, depois taca a pica e abandona na rua”.

Em sua postagem, Yasmin chamou a atenção para o quanto a letra da música faz apologia ao estupro. “Sua música aumenta a misoginia. Sua música aumenta os dados de feminicídio. Sua música machuca um ser humano. Sua música gera um trauma. Sua música gera a próxima desculpa. Sua música tira mais uma. Sua música é baixa ao ponto de me tornar um objeto despejado na rua”, escreveu.

A publicação viralizou (foi compartilhada mais de 130 mil vezes), ganhou destaque nos principais jornais e portais do país e fez com que a canção, que estava em primeiro lugar entre as mais virais no Brasil, fosse excluída das paradas do Spotify. A repercussão também fez com que o principal vídeo com a música no Youtube, que contava com 14 milhões de visualizações, fosse retirado do ar.

Diante da acusação, Mc Diguinho disse em um post já apagado em sua conta no Twitter: “se a minha música faz apologia ao estupro, prazer sou o mais novo estuprador, apenas fiz a música da realidade que eu vivo e muitos brasileiros vivem. Viva a putaria!”.

Ele, infelizmente, está correto. A sua música Surubinha de Leve fala mesmo sobre uma realidade nacional. A do país que registra 135 estupros por dia, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Só em 2016, foram registrados 49.497 casos, 4,3% a mais que 2015. Um número que pode ser maior porque nem todas as vítimas procuram os hospitais ou a polícia.

O estado do Mato Grosso do Sul tem a maior taxa de estupros proporcionalmente à sua população. São 54,4 casos a cada 100 mil habitantes. Amapá e Mato Grosso aparecem em seguida, com 49,2 e 48,8 casos por 100 mil pessoas. Além disso, em cinco anos, mais do que dobrou o número de registros de estupros coletivos em todo o Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde de 2016. Esse tipo de crime representa hoje 15% dos casos de estupro atendidos pelos hospitais no país.

Após a onda de críticas, a assessoria de imprensa de Mc Diguinho divulgou comunicado em que ele “reconhece o conflito de informações devido toda repercussão, que mora com a sua mãe, irmãs e uma sobrinha e que jamais iria denegrir a honra e moral das mulheres…”. No comunicado, o Mc afirma também que, em “respeito a tudo isso”, lançaria uma versão light da música.

Mc Diguinho e outros artistas precisam entender algumas coisas. A primeira delas é que não é preciso ter mãe, irmã ou sobrinha para ter empatia e respeitar as mulheres (esse tipo de resposta não cola, amigo). Também precisam aprender a ouvir as mulheres (e não encarar nossas manifestações como frescura, falso moralismo ou mimimi) e entender a diferença entre diversão e incitação à violência (acredite em mim, é possível fazer música sem agredir ninguém).

Em um país que possui a quinta maior taxa de feminicídio no mundo, não podemos (e não iremos) tolerar músicas ou artistas que contribuam ou incentivem esse tipo de crime. Ao contrário do que muitos dizem, o mundo não ficou chato, mas está se transformando em um espaço em que as minorias (felizmente e finalmente) têm voz e vez. #NãoPassarão.

Foto: Reprodução/Facebook

Mulher Empreendedora 2

O CRESCIMENTO DO EMPREENDEDORISMO FEMININO NO BRASIL

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O CRESCIMENTO DO EMPREENDEDORISMO FEMININO NO BRASIL

Como já falei anteriormente aqui com vocês, o empreendedorismo feminino é um assunto que considero extremamente importante e um segmento que, felizmente, tem crescido bastante no nosso país. Somamos, atualmente, mais de oito milhões de empreendedoras no Brasil e somos responsáveis por 51% dos novos negócios abertos em nosso pais (já empreendemos mais que os homens, mulherada!).

Boa parte desse crescimento se deve a iniciativas como a da Rede Mulher Empreendedora (RME), criada em 2010, e que, atualmente, conta com mais de 300 mil empreendedoras cadastradas. Suas idealizadoras, Ana Lucia Fontes e Alice Salvo Sosnowski, tiveram a ideia de montar o projeto depois de participarem do programa 10 mil mulheres da FGV, do banco de investimentos Goldman Sachs, que, desde 2008, oferece formação em administração e gestão de negócios para mulheres empreendedoras ou que desejam empreender.

A Rede Mulher Empreendedora oferece workshops, palestras e encontros nos quais são oferecidas informações essenciais para as mulheres que têm o sonho de empreender. As empreendedoras cadastradas também têm acesso a conteúdos e dicas sobre o universo do empreendedorismo. Você, leitora, é uma mulher empreendedora? Tem vontade de empreender? Conta aqui pra mim e vamos, juntas, falar um pouco mais sobre empreendedorismo feminino.

Mulher Empreendedora

QUAL O PERFIL DA BRASILEIRA EMPREENDEDORA?

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QUAL O PERFIL DA BRASILEIRA EMPREENDEDORA?

A gente já falou aqui sobre o crescimento do empreendedorismo no Brasil, sobretudo o empreendedorismo feminino, mas, fica uma dúvida no ar, quem é essa empreendedora brasileira sobre a qual tanto falamos?

A Rede Mulher Empreendedora (RME) buscou responder essa questão e organizou, em 2016, o estudo Quem São Elas. O levantamento mostrou que a empreendedora brasileira tem, em média, 39 anos, quase 80% têm ensino superior completo ou mais, e mais da metade (55%) têm filhos – das que já são mães, 75% decidiram empreender depois da maternidade.

Mas para entendermos de fato o empreendedorismo feminino brasileiro, precisamos analisar outros importantes aspectos. Por exemplo, somente 20% das mulheres empreendedoras são negras e pardas. Não podemos falar sobre esse tema sem mencionar as empreendedoras de classe C. Uma pesquisa feita pela RME revelou que, nas classes C e D, as mulheres empreendedoras têm negócios voltados, principalmente, ao comercio, e se utilizam dos dotes adquiridos ao longo da vida.

Por conta disso, a maior parte delas costuma trabalhar com alimentos ou com confecção de roupas, por exemplo. Por empreenderem sem nenhum conhecimento teórico a respeito de administração, planejamento e organização, por exemplo, (seja por dinheiro ou por jornada dupla), elas estão mais sujeitas a verem seus negócios falirem do que as suas colegas de outras classes sociais.

Erros como misturar finanças pessoais com as da empresa, dificuldades no momento de solicitar crédito para capital inicial, acreditar que o negócio se sustentará na originalidade de um produto, não gostar do ramo de mercado escolhido, contratar pessoas por afinidade e não competência, são os principais erros cometidos por elas no processo. Por isso, é extremamente importante, ao decidir embarcar no empreendedorismo, que nós mulheres estejamos munidas de informação ou cercadas por pessoas com as quais podemos obtê-las. Empreender é um universo muito interessante, mas bastante complexo e repleto de desafios diários para os quais temos de estar preparadas.

Feminismo pra quem

FEMINISMO PARA QUEM?

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FEMINISMO PARA QUEM?

Esta é a pergunta que devemos fazer a cada discussão levantada sobre o tema. Se você é homem e se considera feminista, volte duas casas. Sem sentir na pele as mazelas do machismo, é impossível entender a extensão do problema e, consequentemente, saber o tamanho da bandeira a ser levantada contra ele. É importante saber o peso e o privilégio que atitudes, falas e até mesmo a presença de homens têm, pelo simples fato de serem homens.

Por isso, nessa discussão surgem diversos termos que precisam ser esclarecidos antes de utilizados, como a diferença entre feminismo e machismo, que, ao contrário do que muitos dizem, não são opostos. O machismo é um comportamento socialmente reproduzido que estabelece padrões de comportamento para cada gênero, com o viés de que existe um gênero dominante (homens) em relação a outro submisso (mulheres). Já o feminismo, ao contrário do que muitos acreditam, consiste na luta pela equidade entre os gêneros e não na inversão deles.

Outro esclarecimento que precisa ser feito é o da diferença entre igualdade e equidade que muitos acham serem sinônimos, mas não são. A igualdade coloca todos os indivíduos na mesma caixa e, portanto com os mesmos direitos e necessidades. Porém, quando se observa a realidade prática percebemos que não é bem assim e que muitas pessoas, especialmente os integrantes de grupos sociais minoritários, têm seus direitos restringidos e suas necessidades ignoradas todos os dias. E o único caminho possível para resolver essas questões é através de políticas afirmativas.

Mas não são só as mulheres que sofrem com esse status quo. Meninos (ainda crianças) e homens que não encaixam perfeitamente na descrição de homem imposta a eles pela sociedade têm de lidar com a pressão de não serem aquilo que todos os outros esperam que eles sejam. Com o machismo, todos perdem.

Neste contexto, cabe ao homem não apenas tomar a decisão de lutar para deixar de ser mais um machista no mundo, mas também de chamar a atenção de outros homens para a questão. Todas as vezes que um homem vê um colega fazendo um comentário ofensivo, tendo uma atitude inapropriada ou sendo abusivo com uma mulher e não faz nada, ele está sendo cúmplice da atitude do agressor. A construção de uma sociedade mais igualitária depende de todos nós.

Geena Davis

GEENA DAVIS, MUSA NAS TELAS E NA VIDA

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GEENA DAVIS, MUSA NAS TELAS E NA VIDA

Ela é linda, premiada, criou um instituto para debater a importância de boas representações femininas no cinema e na televisão e, não bastasse tudo isso, é uma das protagonistas de um dos meus filmes favoritos: Thelma & Louise. Geena Davis se não existisse teria de ser inventada.

Nascida nos EUA, em 1956, filha de uma assistente de professora e de um engenheiro civil, Geena era uma garota comum muito interessada em artes e principalmente em música. Tanto que, ainda criança, ela aprendeu a tocar flauta, piano e órgão.  O interesse pelo universo artístico continuou na vida adulta e ela decidiu estudar teatro na Universidade de Boston.

Com 35 anos de carreira, ela obteve bastante sucesso no cinema, especialmente nas décadas de 1980 e 1990. Em 1989, foi premiada com o Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo filme O Turista Acidental, mas o seu maior êxito no segmento foi o filme Thelma & Louise, um ícone de libertação feminina. Ela também fez história ao protagonizar a série Commander in Chief, que conta a historia fictícia da primeira presidenta dos EUA. Pelo papel ela foi premiada com O Globo de Ouro em 2006

Com o objetivo de discutir a necessidade de boas representações femininas na televisão e no cinema e de mostrar para meninas que elas podem ser o que quiserem, ela criou em 2004 o Instituto Geena Davis. Em 2009, por conta desse projeto, Geena recebeu um titulo honorário de Doutora em Belas Artes pela Bates College.

Em 2015, ela deu mais um passo no caminho da equidade de gênero e colaborou para o lançamento de um festival anual de cinema que terá sua quarta edição em 2018. O The Bentonville Film Festival é realizado na cidade de mesmo nome, no estado do Arkansas, e tem como proposta dar mais visibilidade às minorias sociais, premiando obras que possuam em seu elenco e equipe mulheres e outros grupos socialmente vulneráveis. Geena Davis, que mulher!

 

PRECISAMOS FALAR DE FEMINICÍDIO

PRECISAMOS FALAR DE FEMINICÍDIO

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PRECISAMOS FALAR DE FEMINICÍDIO

Em outubro deste ano, Laís Andrade descobriu que o ex-marido, Valdeir Ribeiro de Jesus havia instalado, sem a autorização dela, uma câmera de vídeo no banheiro da casa em que ela morava com o filho dos dois, de oito anos de idade. As imagens eram transmitidas em tempo real por um computador instalado por ele no telhado do imóvel. Laís decidiu denunciar o ex e, a caminho da delegacia, foi morta por ele dentro do carro da polícia em que os dois haviam sido colocados, juntos.

Em depoimento à polícia, o homem admitiu que agiu por ciúme. Laís tinha 30 anos e foi mais uma vítima de feminicídio em nosso país. O caso aconteceu em Minas Gerais, o Estado em que, em 2016, quase 87% dos homicídios contra mulheres (397 mortes) foram enquadrados em feminicídio, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública.

Recentemente tipificado, o feminicídio configura o crime de atentado à vida de uma mulher simplesmente pelo fato de ser mulher, ou seja, pela situação de vulnerabilidade social em que muitas de nós nos encontramos em diversas situações do cotidiano, dentro e fora de casa.

A lei, sancionada em 2015, entende que esse tipo de crime específico agrega “violência doméstica e familiar” e “menosprezo ou discriminação à condição de mulher” ou qualquer atentado contra uma mulher a partir do ódio ao feminino e o que ele representa e pode representar.

Qualquer violência de gênero (como agressões físicas e psicológicas, estupro, mutilação genital, entre outras) que configura em morte pode ser enquadrada na lei – o feminicídio considera o assassinato a etapa final de uma série de abusos.

A diferenciação em relação ao homicídio é importante, pois além de aumentar a pena ao agressor (passando de seis a 20 anos para 12 a 30), ele conscientiza a população a respeito da violência contra a mulher. Além disso, é importante ressaltar o fato de que grande parte desses crimes acontecem dentro de casa. Ou seja, nós mulheres não estamos seguras em nossos próprios lares, um problema que os homens não têm.

Entre março de 2016 e o mesmo mês desse ano, ocorreram 2925 feminicídios, um aumento de 8,8% em relação ao ano anterior (dados dos Ministérios Públicos estaduais). São quase OITO casos por dia! #NaoMeAbsorva No ano passado, foram registrados 49.497 casos de estupros no país, uma média de 135 por dia, um aumento de 4,3% em relação a 2015.

Com essas taxas e números, somos o quinto país que mais mata mulheres no mundo (Mapa da Violência 2015). Entre os anos de 1980 e 2013, mais de 100 mil brasileiras foram mortas apenas por serem mulheres!

Ainda que os números sejam alarmantes, estima-se que eles não correspondam à realidade. Isso porque a tipificação do crime ainda é feita de forma incorreta e as mortes por feminicídio geralmente são classificados como homicídios simples. A melhor maneira de resolver essa questão é exigir a investigação policial de todos os casos de mortes violentas envolvendo mulheres. #MexeuComUmaMexeuComTodas

Foto: Fábio Braga

Hysteria

PARA VER E OUVIR AS MULHERES

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PARA VER E OUVIR AS MULHERES

Como vocês bem sabem, eu sou completamente fascinada pela origem das palavras. Histeria, por exemplo, vem do grego Hystera ou Hysteros e significa útero. Ao longo da história da humanidade, o termo foi utilizado de maneira pejorativa contra nós mulheres, sempre associado a transtornos nervosos e bruxaria e também como argumento para nos fazer ficar quietas. Quem nunca ouviu um “como você é histérica!” em uma discussão, não é mesmo? #NaoMeAbsorva

Com o objetivo de ressignificar o termo e dar voz criativa às mulheres, a Conspiração Filmes, uma das maiores produtoras independentes do Brasil, criou a Hysteria, divisão de produção de conteúdo (webséries, curtas metragens, reportagens, podcasts e playlists) totalmente criada por mulheres. Segundo Renata Brandão, CEO da Conspiração, em entrevista para a Folha de S.Paulo, dos 400 diretores em atuação no mercado atualmente, menos de 20% são mulheres. A ideia é justamente mudar esse cenário. Nesse sentido, o projeto conta com dez profissionais fixas e mais de 500 parceiras, entre roteiristas, diretoras, youtubers, designers e jornalistas, que proporcionam a criação de produtos sem estereótipo e limitações e com diversas perspectivas e recortes: a visão feminina sobre temas diversos, não necessariamente femininos.

Entre os programas originais da iniciativa, estão a websérie Tudo, com a atriz e escritora Maria Ribeiro, Alerta de Tubarão, com a fundadora do YouPix Bia Granja, além de coproduções, como a segunda temporada da série O Nosso Amor a Gente Inventa, da apresentadora Sarah Oliveira (um mais interessante que o outro). O universo pornô, sob a ótica feminina, também será explorado pela plataforma por meio de três curtas-metragem (um deles, batizado de Amores Líquidos, terá o Carnaval como pano de fundo).

A plataforma também tem desenvolvido projetos em parceria com empresas e instituições, como o Masp e a Google, por exemplo. Para o primeiro, a Hysteria documentará o processo criativo de estilistas e artistas famosos na criação das peças; já para o segundo, fará uma série sobre mulheres empreendedoras #ChegarLa. O projeto ainda contará com o Festival Hysteria, programado para o primeiro semestre de 2018, que contará com 12 shows de mulheres espalhados por São Paulo (numa espécie de Virada Cultural). São as mulheres conquistando todos os espaços #WeCanDoIt