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Terapia do Riso

TERAPIA DO RISO

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TERAPIA DO RISO

Minha avó costumava dizer: rir é melhor remédio para os males da vida. Acredito que essa seja uma máxima de todas as avós e mães, uma espécie de sabedoria milenar. Nos últimos anos, a ciência tem comprovado isso na prática por meio de vários testes. Uma pesquisa finlandesa publicada recentemente no Journal of Neuroscience, por exemplo, aferiu a liberação de opioides (substâncias que provocam sensação de relaxamento e prazer) pelo cérebro de voluntários que assistiram, durante 30 minutos, a várias cenas de comédia ao lado de dois amigos próximos. O mesmo teste foi aplicado nas mesmas pessoas após meia hora de silêncio, sozinhos em um quarto.

O resultado: rir em grupo aumentou significativamente os níveis de opioides dos voluntários, produzindo uma sensação de bem-estar, diversão e paz interior. Os pesquisadores também identificaram que, quanto mais intensas as risadas, mais fortes são esses efeitos no cérebro. O estudo demonstrou ainda que o cérebro associa a pessoa com quem rimos (ou que nos fez rir) ao resultado prazeroso – por isso lembramos sempre com prazer e saudade das pessoas que nos levam ao riso, à alegria.

Eu sempre fui uma pessoa de bom humor, a “palhaça” da turma, aquela que naturalmente fazia a turma rir. Isso sempre foi um prazer pra mim, uma verdadeira realização, e eu acabei levando essa característica para a minha vida profissional. Não à toa, os meus personagens mais marcantes têm uma forte ligação com o humor, caso de Ivonete, presente que o querido Walcyr Carrasco me deu na novela Caras & Bocas, #naomeabsorvafabiano, e a Suzi, personagem do meu monólogo “De perto ela não é normal”, há 15 anos em cartaz.

Ser uma porta-voz do riso é uma das minhas grandes alegrias enquanto pessoa e profissional. Ouvir o público me dizendo que saiu do meu espetáculo mais leves e com um olhar positivo sobre a vida é a minha maior realização. Vamos rir, mais, Brasil! Porque acredito que rir não apenas nos ajuda a enfrentar os problemas do dia a dia e deixa tudo mais leve, como também dá sentido à vida, afinal, não viemos a esse mundo a passeio, mas para arrasar, não é mesmo? #nascipraserfeliz. Ah, claro, rir é bom também porque faz bem à pele e à saúde, confirmam os cientistas. Mas disso, como disse no início, eu nunca duvidei  #vovojasabia.

ORIGEM DAS PALAVRAS PROTAGONISTA

ORIGEM DAS PALAVRAS: PROTAGONISTA

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ORIGEM DAS PALAVRAS: PROTAGONISTA

Muita gente não sabe, mas além de atriz e dramaturga, eu sou formada em Filosofia. Não sou de ficar citando filósofos nos meus discursos, mas tenho a filosofia como um lugar de intimidade, um conhecimento que, brinco, internalizei nas minhas células e levarei para o resto da minha vida. Sou completamente apaixonada por A Poética, de Aristóteles, (na minha opinião o primeiro manual de roteiro do mundo) e bebo muito dessa fonte para criar meus personagens e também para refletir sobre o meu ofício enquanto artista.

Como sabemos, a Grécia Antiga é o grande berço da civilização ocidental. Foram os gregos que definiram, por exemplo, os conceitos daquilo que hoje entendemos por democracia, filosofia, e também dramaturgia – o meu trabalho diário. Naturalmente, muitas das palavras que utilizamos nos dias de hoje também têm origem ligada à sociedade grega e refletir sobre a origem delas é algo que gosto de fazer no meu dia a dia e um hábito que eu gostaria de compartilhar com vocês.

Dentro do universo da dramaturgia, a figura do protagonista é uma das mais importantes. A palavra vem do grego PROTAGONISTES. PROTO, em grego, significa o principal, e AGONISTES, o batalhador, aquele que vai enfrentar desafios, superações, provações. No filme O Amor não Tira Férias, da diretora Nancy Meyers, a personagem da atriz Kate Winslet é confrontada com a seguinte reflexão: durante anos, por conta de um amor não correspondido, atuou como coadjuvante no roteiro da própria vida e permanecia estagnada. A partir dessa análise, feita com ajuda do personagem interpretado pelo maravilhoso ator Eli Wallach, ela decide assumir o protagonismo da própria vida e virar o jogo.

Em resumo, o protagonista é aquele que assume o papel principal de uma jornada, cheia de desafios e superações, e que, no processo, passa por um desenvolvimento, chegando ao final melhor do que quando começou a caminhada. E aqui vai uma reflexão importante: ser protagonista não é ser melhor que os outros – ou tirar vantagem sobre outra pessoa -, mas ser a melhor versão de si mesmo, constantemente. Alguém que acredita em si e nos seus sonhos e vai atrás dos seus objetivos com afinco, foco e fé. E você, tem sido o protagonista da sua própria história?

 

JE T’ADORE, JEANNE!

JE T’ADORE, JEANNE!

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JE T’ADORE, JEANNE!

Desde que iniciei esse meu caso de amor com o ofício de atriz, Jeanne Moreau sempre foi uma das minhas grandes inspirações. As mulheres fortes, passionais, libertárias e pouco convencionais que ela imprimiu na grande tela em filmes como Segredos de Alcova (1954), Os Amantes (1958), e Jules e Jim – Uma mulher para dois (1962) despertaram em mim o desejo de fazer o mesmo em cena e também o de criar personagens tão marcantes quanto no teatro, no cinema e na televisão nacional #inspiracao.

A beleza, fora do padrão em vigor na época (ditado pelas deusas Marilyn Monroe e Brigitte Bardot), e a voz grave e sensual foram outros fatores que contribuíram para que ela conseguisse arrebatar o meu coração – e o do mundo, claro. Conhecida como Bette Davis francesa (embora odiasse a comparação com a diva do cinema norte-americano), Jeane foi a grande musa da Nouvelle Vague, movimento artístico do cinema francês, e inspirou cineastas de renome, como Orson Welles (que a considerava a melhor atriz do mundo), Jean-Luc Godard, François Truffaut, Luis Buñuel (a quem chamava de “papai espanhol”), Werner Fassbinder e Tony Richardson.

Em 65 anos de carreira, trabalhou em mais de 130 filmes e também atuou como diretora (dirigiu dois longas-metragem e um documentário sobre a atriz do cinema mudo, Lilian Gish). Mas sua grande paixão sempre foi a arte de atuar, um ofício que, como ela gostava de definir, toca emoções muito delicadas. “Atuar é transmitir vida”, disse certa vez. Jeanne também afirmava que, ao atuar, o ator não se esconde, mas se expõe completamente, uma opinião que eu compartilho: no jogo de cena, além das características dos personagens, há muita coisa do ator que o interpreta e é justamente nessa mistura que está a beleza da nossa arte.

Jeanne nos deixou neste ano, aos 89 anos, mas seu talento e sua arte seguirão nos emocionando e inspirando eternamente. Je t’adore, Jeanne!