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OPRAH, UM ÍCONE

OPRAH, UM ÍCONE

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É difícil encontrar alguém que não conheça Oprah! Uma das mulheres mais poderosas dos EUA, a norte-americana dispensa até sobrenome. Com uma fortuna estimada em quase US$3 bilhões, Oprah Winfrey é atualmente a terceira mulher mais rica dos EUA. Mas sua trajetória foi longa até alcançar sua posição atual como apresentadora, atriz e empresária de sucesso.

Nascida em um pequeno povoado do Estado do Mississipi e filha de uma empregada doméstica mãe solteira, Oprah foi criada pela avó materna em uma fazenda. Sob a orientação rigorosa de sua avó, ela aprendeu a ler com dois anos e meio de idade. Aos três anos, ela já entrevistava sua boneca e os corvos que pousavam perto à cerca da casa. Era tão boa oradora em período escolar que, na Igreja, lhe chamavam de “a pregadora”.

Aos seis anos, Winfrey foi enviada para o norte para morar com sua mãe e dois meio-irmãos em um gueto de Milwaukee, um bairro extremamente pobre e perigoso. Aos nove anos, acabou estuprada por um primo. E, infelizmente, os abusos não acabaram por aí. Oprah também foi abusada sexualmente por outros parentes e amigos da família.

Aos doze anos Oprah foi enviada para morar com o pai em Nashville, Tennessee. Nesse período, sentindo-se segura e feliz, começou a fazer discursos em reuniões sociais e igrejas, e uma vez ganhou quinhentos dólares por um discurso. Sabia então que queria ser “paga para falar”.

No entanto, foi chamada de volta pela mãe e teve que abandonar a vida tranquila que tinha com o pai. Sua mãe trabalhava e não tinha muito tempo para supervisioná-la. A vida com a mãe teve um efeito negativo na vida de Winfrey quando jovem. Depois de anos de mau comportamento, a mãe de Winfrey mandou-a de volta para o pai em Nashville.

A ida para morar com o pai foi o ponto de virada na vida de Oprah, que afirma que ele salvou sua vida. Muito rigoroso, o pai lhe dava orientação, estrutura, regras e livros. Tornou-se uma excelente aluna. Ganhou uma bolsa integral para a Tennessee State University. No ano seguinte, ela foi convidada para uma Conferência da Casa Branca sobre a Juventude.

Aos 17 anos, Oprah foi coroada como Miss Fire Prevention (Miss Prevenção de Incêncios), e por causa disso, foi à WVOL, uma estação de rádio local de Nashville, onde, de brincadeira, coube a ela narras as notícias. Ela fez aquilo tão bem que foi contratada pela estação.

Pouco tempo depois, a afiliada do Nashville Columbia Broadcasting System (CBS) ofereceu-lhe um emprego. Tornando-se a primeira mulher afro-americana de Nashville a se apresentar no noticiário da noite. Ela tinha dezenove anos e ainda estava no segundo ano da faculdade.

Sua carreira na televisão deslanchou! E, no começo dos anos 80 foi chamada para assumir como âncora do A.M Chicago, um famoso talk show matutino. Sob seu comando, o programa começou a dar mais destaques a temas atuais e mais polêmicos, deixando de lado os temas femininos tradicionais. Agora renomeado para Oprah Winfrey Show, o programa destacou-se ao levar pela primeira vez à TV entrevistas com pessoas comuns. O show foi líder de audiência na TV americana por 25 anos até que Oprah resolveu criar seu próprio canal a cabo- o Oprah Winfrey Network, além de uma bem-sucedida revista e uma empresa de produção cinematográfica.

Porém, o sucesso de Oprah não se limita ao seu trabalho na TV. Ela já foi indicada ao Oscar duas vezes, com as produções “A Cor Púrpura”, de 1985, e “Selma”, em 2014. Em 2011, ela recebeu um Oscar honorário por seu trabalho humanitário.

O poder de Oprah é tão grande nos EUA que muitos a querem na Casa Branca como presidente nas próximas eleições. Imagina ter essa mulher maravilhosa como presidente dos EUA?

 

foto: Mario Testino

ZEZÉ MOTTA, A REPRESENTATIVIDADE EM CENA

ZEZÉ MOTTA, A REPRESENTATIVIDADE EM CENA

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ZEZÉ MOTTA, A REPRESENTATIVIDADE EM CENA

Difícil encontrar palavras para definir a força e talento de Zezé Motta. Com uma trajetória profissional impecável, a atriz e cantora Zezé Motta, de 73 anos, tem dezenas de filmes e novelas no currículo, além de ampla discografia. Um dos mais importantes nomes da dramaturgia brasileira, a artista mostra como é extremamente expressivo ser negro e estar na televisão e cinema em papéis que fogem dos estereótipos. Ao longo da carreira, Zezé Motta abraçou causas importantes e participou de cargos no governo em defesa dos direitos humanos. Tornando-se assim um dos maiores símbolos de resistência negra do Brasil.

Porém, nem sempre foi assim. Na adolescência, Zezé Motta, em uma tentativa de embranquecimento, queria operar o nariz, alisava o cabelo e chegou a usar uma peruca chanel. “Eu morava num edifício de classe média baixa no Leblon, e a maioria das minhas amiguinhas era branca, e elas me falavam: ‘Ah, gosto tanto de você, mas seu cabelo é duro, né?’ (risos). Eu me achava feia. Me disseram isso e eu acreditei” relembra a atriz em entrevista ao Portal Extra.

O orgulho de ser negra veio aos 23 anos, durante uma viagem aos EUA. No auge do movimento black americano, começou a reparar naqueles negros que se achavam lindos, cheios de auto-estima e atitude. “Por que o negro brasileiro não tem essa postura?” refletiu a atriz. Voltou para o hotel e, como uma espécie de batismo, entrou em um banho, lavou a cabeça e deixou o cabelo ao natural, abandonando definitivamente o alisamento e a peruca.

Impossível pensar em Zezé Motta sem lembrar de seu personagem Xica da Silva, cujo filme homônimo sobre a escrava mais famosa da história do Brasil, de Cacá Diegues, completou 40 anos em 2017! O protagonismo do longa foi um divisor de águas na carreira da atriz, responsável por transformá-la em famosa internacionalmente e em um símbolo sexual, o que foi, de certa forma, uma vitória para a comunidade negra. Esse destaque foi também responsável por despertar na atriz a vontade de se posicionar e mostrar o lugar no negro na sociedade. A partir daí, Zezé Motta passou a usar sua posição de destaque para dar voz e representatividade a população negra muitas vezes discriminada. Surgiu então o Cidan- Centro de Informação e Documentação do Artista Negro, com intuito de conquistar mais espaço para o negro nas mídias.

De lá pra cá, Zezé Motta não parou. Ao longo de mais de 50 anos de carreira, a artista emprestou seu talento e força a diversos personagens emblemáticos e nos encantou com sua brilhante voz. Atualmente, a atriz vive uma líder de um quilombo, na novela  O Outro Lado do Paraíso, trazendo novamente à tona um importante debate sobre a marginalização da população quilombola.  Viva, Zezé Motta!

foto: Paula Klien

tonia, a deusa dos olhos azuis

TÔNIA, A DEUSA DOS OLHOS AZUIS

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TÔNIA, A DEUSA DOS OLHOS AZUIS

Quando penso em Tônia Carrero, me lembro automaticamente da sua beleza impactante. Uma mulher lindíssima dona de um par de olhos azuis deslumbrantes cujo brilho tirava do prumo figuras do naipe de Carlos Drummond de Andrade, Di Cavalcanti, Rubem Braga e Vinicius de Moraes. “Como os homens se diminuem diante da beleza de uma mulher”, dizia, sempre bem humorada. Seu rosto era tão marcante e único que chegou a estampar a moeda de dez cruzeiros na década de 1950 (ela representava a figura da República).

Nascida em 1922, no Rio de Janeiro, viveu até a adolescência na Tijuca, mas aos 17 anos mudou-se para a Vieira Solto – tenho pra mim que ela foi uma das primeiras lendárias garotas de Ipanema. Iniciou sua carreira artística no cinema na década de 1940 e foi protagonista do filme Tico Tico no Fubá, considerado uma das melhores obras da Vera Cruz. Brilhou também na TV, dando vida a personagens inesquecíveis como a Cristina de Pigmalião 70 (1970), a Stella de Água Viva (1980) e a Rebeca de Sassaricando (1986).

Mas o teatro era de fato a sua grande paixão. No palco, ela teve a oportunidade de mostrar toda a sua versatilidade e nos presenteou com interpretações emblemáticas em espetáculos como Navalha na Carne, de Plínio Marcos; Casa de Bonecas, de Ibsen; Doce Pássaro da Juventude, de Tennessee Williams; Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de Edward Albee, e A Visita da Velha Senhora, de Friedrich Dürrenmatt.

Visionária, fundou ao lado do segundo marido, o diretor italiano Adolfo Celi, e do amigo Paulo Autran, a Companhia Tônia-Celi-Autran, que contribuiu bastante para o desenvolvimento do teatro brasileiro nas décadas de 1950 e 1960. Extremamente politizada, foi uma das participantes da Passeata dos 100 mil, que protestou contra a censura à Cultura imposta pela Ditadura Militar, em 1968 – ela aparece na linha de frente na icônica foto da manifestação, ao lado de nomes como Silvia Becker, Odete Lara e Eva Vilma.

Ao longo de 70 anos de carreira, contabilizou 54 peças, 19 filmes e 15 novelas, provou que beleza e talento podem sim andar juntos e em perfeita harmonia e com a sua personalidade e determinação abriu caminho para as atrizes da minha geração e das gerações posteriores. No início de março, Tônia, aos 95 anos, decidiu nos deixar. Como bem disse a colega Renata Sorrah, “o matriarcado do teatro brasileiro perdeu um de seus maiores nomes”. Tônia, você saiu de cena, mas seu inestimável legado será eterno!

Susan, musa da versatilidade

SUSAN, A DAMA DA VERSATILIDADE

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SUSAN, A DAMA DA VERSATILIDADE

Versatilidade é uma característica imprescindível para qualquer atriz e uma habilidade que eu sempre busquei exercitar ao longo da minha trajetória profissional. Para isso, além de optar por trabalhos que me incentivassem a interpretar os mais diversos personagens, eu também busquei inspiração em atrizes que se destacaram justamente pelo ecletismo.

Susan Sarandon foi (e ainda é) uma delas. Embora seja lembrada especialmente por suas (ótimas) atuações em filmes de drama – como O Óleo de Lorenzo, Lado a Lado (com a maravilhosa Julia Roberts) e, claro, Thelma & Louise, com a musa Geena Davis, – a atriz estadunidense também tem no currículo produções de comédia, como As Bruxas de Eastwick (junto com Cher e Michelle Pfeiffer), e musicais, como o clássico The Rocky Horror Picture Show.

Formada em Artes pela Universidade Católica da América, em Washington, Susan iniciou sua carreira no cinema em 1970 no drama Joe, das drogas à morte. Indicada cinco vezes ao Óscar, foi premiada como Melhor Atriz em 1995 por sua atuação no ótimo Os Últimos Passos de um Homem. Paralelamente ao seu trabalho na sétima arte, Susan também atuou em projetos na TV (novelas, telefilmes e séries) pelos quais foi indicada ao Emmy, o Óscar da televisão estadunidense – Feud, seu mais recente trabalho na TV, no qual vive a lendária Bette Davis, é imperdível!

Fora das telas, Susan também se destaca pela personalidade. Em 2016, ela foi criticada pelo jornalista britânico Piers Morgan ao aparecer de decote em uma premiação de Hollywood. Morgan classificou a escolha de Susan como “cafona” pelo fato do evento em questão também prestar uma homenagem a atores falecidos. “Ela utilizaria essa roupa em um funeral?”, questionou o jornalista.

Em resposta, Susan publicou no Twitter uma imagem sua apenas de sutiã, extraída do filme The Rock Horror Picture Show, com uma legenda sutil e irônica: “Uma foto dedicada a Piers Morgan”. GÊNIA! A postagem viralizou e gerou uma onda de tweets de mulheres que, em apoio a Susan, postavam fotos de seus decotes. Quem disse que uma mulher com mais de 60 anos não pode usar decote? #NaoMeAbsorva

A atriz também é conhecida pelo seu posicionamento político em prol de causas progressistas. Em entrevista ao apresentador Jimmy Fallon, no The Tonight Show, em 2017, ela afirmou não temer ser prejudicada profissionalmente por conta das bandeiras que defende. “Eu vou ser mulher por muito mais tempo do que serei atriz. Vou ser mãe por muito mais tempo do que serei atriz. Tudo o que eu busco é ter uma vida autêntica”, disse.

Neste ano, Susan “rifou” o seu convite de acompanhante para o SAG Awards (incluindo passagem para Los Angeles e hospedagem por duas noites) com o objetivo de arrecadar fundos para a Hope North, instituição que oferece apoio a órfãos e vítimas da guerra civil em Uganda. “Cheguei a um ponto da minha carreira que já não dou ouvidos ao que os outros pensam de mim. Tenho sobrevivido à indústria procurando fazer escolhas que respeitem minhas idéias. Continuo acreditando que podemos fazer diferença nesse mundo. Faço o que está ao meu alcance e não me importo com o que dizem os cínicos ou os puxa-sacos.” Susan, que mulher!

Foto: Thomas Whiteside

 

Geena Davis

GEENA DAVIS, MUSA NAS TELAS E NA VIDA

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GEENA DAVIS, MUSA NAS TELAS E NA VIDA

Ela é linda, premiada, criou um instituto para debater a importância de boas representações femininas no cinema e na televisão e, não bastasse tudo isso, é uma das protagonistas de um dos meus filmes favoritos: Thelma & Louise. Geena Davis se não existisse teria de ser inventada.

Nascida nos EUA, em 1956, filha de uma assistente de professora e de um engenheiro civil, Geena era uma garota comum muito interessada em artes e principalmente em música. Tanto que, ainda criança, ela aprendeu a tocar flauta, piano e órgão.  O interesse pelo universo artístico continuou na vida adulta e ela decidiu estudar teatro na Universidade de Boston.

Com 35 anos de carreira, ela obteve bastante sucesso no cinema, especialmente nas décadas de 1980 e 1990. Em 1989, foi premiada com o Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo filme O Turista Acidental, mas o seu maior êxito no segmento foi o filme Thelma & Louise, um ícone de libertação feminina. Ela também fez história ao protagonizar a série Commander in Chief, que conta a historia fictícia da primeira presidenta dos EUA. Pelo papel ela foi premiada com O Globo de Ouro em 2006

Com o objetivo de discutir a necessidade de boas representações femininas na televisão e no cinema e de mostrar para meninas que elas podem ser o que quiserem, ela criou em 2004 o Instituto Geena Davis. Em 2009, por conta desse projeto, Geena recebeu um titulo honorário de Doutora em Belas Artes pela Bates College.

Em 2015, ela deu mais um passo no caminho da equidade de gênero e colaborou para o lançamento de um festival anual de cinema que terá sua quarta edição em 2018. O The Bentonville Film Festival é realizado na cidade de mesmo nome, no estado do Arkansas, e tem como proposta dar mais visibilidade às minorias sociais, premiando obras que possuam em seu elenco e equipe mulheres e outros grupos socialmente vulneráveis. Geena Davis, que mulher!

 

Terapia do Riso

TERAPIA DO RISO

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TERAPIA DO RISO

Minha avó costumava dizer: rir é melhor remédio para os males da vida. Acredito que essa seja uma máxima de todas as avós e mães, uma espécie de sabedoria milenar. Nos últimos anos, a ciência tem comprovado isso na prática por meio de vários testes. Uma pesquisa finlandesa publicada recentemente no Journal of Neuroscience, por exemplo, aferiu a liberação de opioides (substâncias que provocam sensação de relaxamento e prazer) pelo cérebro de voluntários que assistiram, durante 30 minutos, a várias cenas de comédia ao lado de dois amigos próximos. O mesmo teste foi aplicado nas mesmas pessoas após meia hora de silêncio, sozinhos em um quarto.

O resultado: rir em grupo aumentou significativamente os níveis de opioides dos voluntários, produzindo uma sensação de bem-estar, diversão e paz interior. Os pesquisadores também identificaram que, quanto mais intensas as risadas, mais fortes são esses efeitos no cérebro. O estudo demonstrou ainda que o cérebro associa a pessoa com quem rimos (ou que nos fez rir) ao resultado prazeroso – por isso lembramos sempre com prazer e saudade das pessoas que nos levam ao riso, à alegria.

Eu sempre fui uma pessoa de bom humor, a “palhaça” da turma, aquela que naturalmente fazia a turma rir. Isso sempre foi um prazer pra mim, uma verdadeira realização, e eu acabei levando essa característica para a minha vida profissional. Não à toa, os meus personagens mais marcantes têm uma forte ligação com o humor, caso de Ivonete, presente que o querido Walcyr Carrasco me deu na novela Caras & Bocas, #naomeabsorvafabiano, e a Suzi, personagem do meu monólogo “De perto ela não é normal”, há 15 anos em cartaz.

Ser uma porta-voz do riso é uma das minhas grandes alegrias enquanto pessoa e profissional. Ouvir o público me dizendo que saiu do meu espetáculo mais leves e com um olhar positivo sobre a vida é a minha maior realização. Vamos rir, mais, Brasil! Porque acredito que rir não apenas nos ajuda a enfrentar os problemas do dia a dia e deixa tudo mais leve, como também dá sentido à vida, afinal, não viemos a esse mundo a passeio, mas para arrasar, não é mesmo? #nascipraserfeliz. Ah, claro, rir é bom também porque faz bem à pele e à saúde, confirmam os cientistas. Mas disso, como disse no início, eu nunca duvidei  #vovojasabia.

ORIGEM DAS PALAVRAS PROTAGONISTA

ORIGEM DAS PALAVRAS: PROTAGONISTA

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ORIGEM DAS PALAVRAS: PROTAGONISTA

Muita gente não sabe, mas além de atriz e dramaturga, eu sou formada em Filosofia. Não sou de ficar citando filósofos nos meus discursos, mas tenho a filosofia como um lugar de intimidade, um conhecimento que, brinco, internalizei nas minhas células e levarei para o resto da minha vida. Sou completamente apaixonada por A Poética, de Aristóteles, (na minha opinião o primeiro manual de roteiro do mundo) e bebo muito dessa fonte para criar meus personagens e também para refletir sobre o meu ofício enquanto artista.

Como sabemos, a Grécia Antiga é o grande berço da civilização ocidental. Foram os gregos que definiram, por exemplo, os conceitos daquilo que hoje entendemos por democracia, filosofia, e também dramaturgia – o meu trabalho diário. Naturalmente, muitas das palavras que utilizamos nos dias de hoje também têm origem ligada à sociedade grega e refletir sobre a origem delas é algo que gosto de fazer no meu dia a dia e um hábito que eu gostaria de compartilhar com vocês.

Dentro do universo da dramaturgia, a figura do protagonista é uma das mais importantes. A palavra vem do grego PROTAGONISTES. PROTO, em grego, significa o principal, e AGONISTES, o batalhador, aquele que vai enfrentar desafios, superações, provações. No filme O Amor não Tira Férias, da diretora Nancy Meyers, a personagem da atriz Kate Winslet é confrontada com a seguinte reflexão: durante anos, por conta de um amor não correspondido, atuou como coadjuvante no roteiro da própria vida e permanecia estagnada. A partir dessa análise, feita com ajuda do personagem interpretado pelo maravilhoso ator Eli Wallach, ela decide assumir o protagonismo da própria vida e virar o jogo.

Em resumo, o protagonista é aquele que assume o papel principal de uma jornada, cheia de desafios e superações, e que, no processo, passa por um desenvolvimento, chegando ao final melhor do que quando começou a caminhada. E aqui vai uma reflexão importante: ser protagonista não é ser melhor que os outros – ou tirar vantagem sobre outra pessoa -, mas ser a melhor versão de si mesmo, constantemente. Alguém que acredita em si e nos seus sonhos e vai atrás dos seus objetivos com afinco, foco e fé. E você, tem sido o protagonista da sua própria história?

 

JE T’ADORE, JEANNE!

JE T’ADORE, JEANNE!

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JE T’ADORE, JEANNE!

Desde que iniciei esse meu caso de amor com o ofício de atriz, Jeanne Moreau sempre foi uma das minhas grandes inspirações. As mulheres fortes, passionais, libertárias e pouco convencionais que ela imprimiu na grande tela em filmes como Segredos de Alcova (1954), Os Amantes (1958), e Jules e Jim – Uma mulher para dois (1962) despertaram em mim o desejo de fazer o mesmo em cena e também o de criar personagens tão marcantes quanto no teatro, no cinema e na televisão nacional #inspiracao.

A beleza, fora do padrão em vigor na época (ditado pelas deusas Marilyn Monroe e Brigitte Bardot), e a voz grave e sensual foram outros fatores que contribuíram para que ela conseguisse arrebatar o meu coração – e o do mundo, claro. Conhecida como Bette Davis francesa (embora odiasse a comparação com a diva do cinema norte-americano), Jeane foi a grande musa da Nouvelle Vague, movimento artístico do cinema francês, e inspirou cineastas de renome, como Orson Welles (que a considerava a melhor atriz do mundo), Jean-Luc Godard, François Truffaut, Luis Buñuel (a quem chamava de “papai espanhol”), Werner Fassbinder e Tony Richardson.

Em 65 anos de carreira, trabalhou em mais de 130 filmes e também atuou como diretora (dirigiu dois longas-metragem e um documentário sobre a atriz do cinema mudo, Lilian Gish). Mas sua grande paixão sempre foi a arte de atuar, um ofício que, como ela gostava de definir, toca emoções muito delicadas. “Atuar é transmitir vida”, disse certa vez. Jeanne também afirmava que, ao atuar, o ator não se esconde, mas se expõe completamente, uma opinião que eu compartilho: no jogo de cena, além das características dos personagens, há muita coisa do ator que o interpreta e é justamente nessa mistura que está a beleza da nossa arte.

Jeanne nos deixou neste ano, aos 89 anos, mas seu talento e sua arte seguirão nos emocionando e inspirando eternamente. Je t’adore, Jeanne!